Coronavírus

Bolsonaro ataca CPI e mente de novo sobre cloroquina

Fernando Frazão/ Agência Brasil
Ele disse que vai divulgar um vídeo em que seus ministros irão propagandear a substância com a afirmação: "Eu tomei"  |   Bnews - Divulgação Fernando Frazão/ Agência Brasil

Publicado em 08/05/2021, às 15h51   Folhapress



Em meio à CPI da Covid que investiga a atuação do governo no enfrentamento à pandemia, o presidente Jair Bolsonaro voltou a mentir sobre a hidroxicloroquina, medicamento ineficaz contra a Covid, e disse que vai divulgar um vídeo em que seus ministros irão propagandear a substância com a afirmação: "Eu tomei".

Ele também classificou a comissão de investigação do Senado como "um vexame". "Ontem [sexta-feira] retornando de Rondônia, no avião tinha alguns ministros, a gente vai fazer um vídeo na semana, os 22 ministros, todos aqueles que tomaram hidroxicloroquina vão falar 'eu tomei'. É a alternativa no momento", disse Bolsonaro neste sábado (8), em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.

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As declarações foram transmitidas pelas redes sociais do presidente. Bolsonaro afirmou também que a CPI "está um vexame, só se fala em cloroquina".

"Mas o cara que é contra não dá alternativa. Tenho certeza que alguém aqui tomou hidroxicloroquina", disse, dirigindo-se a seus simpatizantes. Parte dos presentes respondeu afirmativamente. "Ah, não tem comprovação científica. Mas não tem cientificamente dizendo o contrário também", acrescentou Bolsonaro.

A ampla recomendação dada pelo governo brasileiro para o uso da hidroxicloroquina e de outros remédios sem eficácia comprovada é um dos focos de investigação da CPI.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro defende enfaticamente o medicamento, mesmo com diversos especialistas e estudos apontando que a droga não produz efeitos contra o coronavírus e que está associada a efeitos colaterais.

Das seis farmacêuticas que fabricam cloroquina ou hidroxicloroquina no Brasil, por exemplo, quatro não recomendam que o remédio seja usado para tratar a Covid-19. Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) concluiu que usar verba do SUS para a distribuição de cloroquina a pacientes com Covid é ilegal.

Esses remédios são usados há décadas para outros objetivos, mas foram descartados pela comunidade científica e médica para o tratamento da Covid por não demonstrarem capacidade de barrar o novo coronavírus, prevenir a doença ou tratá-la.

Até o momento, a CPI tomou o depoimento de dois ex-ministros da Saúde de Bolsonaro –Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich– e do atual titular da pasta, Marcelo Queiroga.

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