Justiça
Publicado em 24/10/2017, às 13h20 Redação BNews
O Bradesco transferiu R$ 26 milhões à faculdade de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal e, no mesmo dia, seu filho comprou as cotas do outro sócio por R$ 12 milhões. Dados do Banco Central mostram que taxa do Bradesco foi melhor que 99,92% dos empréstimos do banco.
A compra mostra que a vida acadêmica do ministro, fundador do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), tornou-se um negócio multimilionário, agora inteiramente controlado pela família de Gilmar Mendes.
O filho de Gilmar Mendes, Francisco Schertel Mendes, de 32 anos, tornou-se sócio em 18 de agosto de 2017. Ele é consultor legislativo do Senado, com salário de cerca de R$ 30 mil, mas está licenciado. Francisco tem também OAB para advogar.
De acordo com o BuzzFeed News, o IDP tem hoje empréstimos de R$ 36,4 milhões com o Bradesco. Novos dados do Banco Central mostram que, na média, os juros oferecidos pelo banco foram metade da taxa praticada pelo Bradesco no mesmo mês. A taxa do IDP foi melhor que 99,92% dos empréstimos oferecidos pelo banco.
Antes da negociação societária, o IDP tinha dois sócios. O mais ilustre era Gilmar Mendes. O outro era Paulo Gonet, atualmente secretário da cúpula da Procuradoria-Geral da República, na gestão de Raquel Dodge.
Pelo acerto, Gonet vendeu suas cotas a Francisco Schertel Mendes por R$ 12 milhões. Gilmar Mendes tinha preferência de compra, mas renunciou a esse direito. O filho do ministro comprou então 43% do IDP.
Pelo acerto com o Bradesco, o IDP terá até 2032 para pagar o empréstimo, a uma taxa de juros anual de 11,35%. Essa operação aconteceu depois de, nos empréstimos anteriores, o IDP já ter dito que não conseguiria honrar parte das parcelas e conseguir reduções de juros. O mesmo imóvel do IDP foi oferecido e aceito pelo Bradesco para hipoteca três vezes.
Em nota, o Instituto afirmou que "os 'benefícios' citados são meras renegociações decorrentes da redução dos juros praticados pelo mercado financeiro". O Bradesco disse que "não tece comentários sobre sua política de crédito". Paulo Gonet respondeu por meio de nota: "Trata-se de um negócio particular, sobre o qual o subprocurador-geral não irá se manifestar".
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