Justiça

Faroeste: ‘Núcleo de Defesa Social é uma criação do MPF’, sugere advogado de Ediene Lousado

Arquivo BNews

“Parece que, infelizmente, o ministro Og Fernandes foi induzido a erro”, afirmou a defesa

Publicado em 17/12/2020, às 09h37    Arquivo BNews    Yasmin Garrido

O advogado Pedro Lousado, que representa a ex-chefe do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), Ediene Lousado, no âmbito do processo sobre os desdobramentos da Operação Faroeste, disse ao BNews, na manhã desta quinta-feira (17), que o nome da procuradora não foi citado na delação de Júlio César Cavalcanti, que teria servido de base à denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra os investigados pelo crime de venda de sentenças.

De acordo com ele, “ao que parece, infelizmente o ministro Og Fernandes foi induzido a erro, decidindo com base em fato inexistente, uma vez que esse suposto "Núcleo de Defesa Social" é uma criação do próprio MPF”. Pedro Lousado também ressaltou que a defesa da ex-chefe do MP-BA “já está tomando as providências jurídicas necessárias, para que a verdade seja restabelecida”.

Denúncia
A Procuradora da República e autora da nova denúncia que deu origem a mais uma fase da Operação Faroeste, Lindôra Araújo, chamou de ‘Núcleo de Defesa Social’ as supostas participações da ex-chefe do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Ediene Lousado, do ex-secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), exonerado nesta terça-feira (15), Maurício Barbosa, e da delegada e ex-chefe de gabinete da pasta, Gabriela Macedo.

Ainda segundo a denúncia, gravações entre a desembargadora Sandra Inês, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que está em prisão domiciliar, e o advogado Júlio César dão indícios da participação de Ediene na organização criminosa. Em outro trecho, a PGR afirmou que foi descoberto que ela seria responsável por monitorar e avisar aos envolvidos sobre novas operações contra o grupo.

“Na mesma direção, Maria do Socorro [desembargadora do TJ-BA], ao ser interceptada, anuncia a necessidade de fazer reunião, pontua que o irmão da então Procuradora-Geral de Justiça do MP-BA, Ediene Lousado, estaria acompanhando o caso e que, possivelmente, eles estariam monitorando a deflagração de Operação contra todos, numa ambiência que transparece possível articulação para blindagem deles”, disse a PGR.

Decisão
Ao final, o Superior Tribunal de Justiça, em decisão assinada pelo ministro Og Fernandes, autorizou o cumprimento de mandado de prisão temporária contra as desembargadoras Ilona Márcia e Lígia Cunha, além de um de prisão preventiva contra Ronilson Pires de Carvalho. Foram autorizados também o cumprimento de 36 mandados de busca e apreensão contra os suspeitos, bem como o afastamento de Maurício Barbosa, Gabriela Macedo e do desembargador Ivanilton da Silva.

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