Justiça

Em Itabuna, fábrica da Trifil já acumula 400 acidentes em 10 anos

Imagem Em Itabuna, fábrica da Trifil já acumula 400 acidentes em 10 anos
MPT quer indenização por danos morais coletivos de R$15 milhões  |   Bnews - Divulgação

Publicado em 20/09/2013, às 08h02   Redação Bocão News (Twitter: @bocaonews)



A morte de mais um operário dentro das instalações da fábrica da Trifil na cidade de Itabuna, no sul da Bahia, deve dar maior força à ação civil pública que o Ministério Público do Trabalho (MPT) move contra a empresa do setor têxtil por descumprimento de várias normas de saúde e segurança no ambiente de trabalho. O fato já vinha chamando a atenção dos procuradores e dos auditores fiscais do trabalho, que promoveram inspeções no local e confirmaram as suspeitas. A morte de Joadson Bispo Oliveira, 18 anos, sugado por uma centrífuga, é mais um comprovação de que a empresa é negligente com aspectos de saúde e segurança do trabalho.

“O que a Trifil, nome fantasia da Itabuna Têxtil, faz é dumping social, ou seja, a empresa prefere pagar as multas da fiscalização em vez de cumprir a lei no que se refere a normas de segurança e essa morte é fruto desse comportamento”, afirma a procuradora Cláudia Soares, autora da ação civil pública. Ela lembra que no últimos dez anos foram registrados cerca de 400 acidentes de trabalho na fábrica e que em novembro passado, fiscais do trabalho interditaram 18 máquinas e lavraram 33 autos de infração contra a Trifil. “Essa ação tem o objetivo de combater a mentalidade adotada pela empresa de descumprir as normas de segurança e tentar atribuir esse grande número de acidentes e de doenças ocupacionais ao acaso ou até mesmo às vítimas”, reafirmou.

Cláudia Soares está esperançosa de que esse novo fato possa fazer com que a Justiça determine o atendimento de uma série de normas que vêm sendo negligenciadas pela empresa. “Ingressamos com a ação na Justiça do Trabalho de Itabuna e imediatamente pedimos que fosse concedida uma liminar obrigando a Trifil a respeitar uma série de itens de segurança imediatamente. Nossa intenção é justamente a de evitar mais acidentes, mais doenças ocupacionais”, explicou a procuradora. Ela informa que a primeira audiência do caso está marcada para a próxima terça-feira (24), às 8h45, na 3ª Vara do Trabalho de Itabuna.

Na ação, o MPT requer que a empresa seja obrigada a atender ao que determina o Ministério do Trabalho e Emprego em termos de normas para garantir um meio ambiente de trabalho seguro e saudável. Além disso, pede que a Trifil seja condenada a pagar indenização por danos morais coletivos de R$15 milhões. O pedido de liminar, embora tenha sido apresentado juntamente com a ação, não foi apreciado pela Justiça, que preferiu aguardar a primeira audiência para se posicionar se vai obrigar a empresa a cumprir a lei no que se refere a normas de segurança. A Trifil tem cerca de três mil funcionários e um histórico recente de muitos casos de acidentes e doenças ocupacionais envolvendo uso de maquinário.

Fonte: MPT- Bahia

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