Justiça

André Mendonça confirma encontro com dono do Banco Master no início de 2025

STF
Ministro do STF diz que reunião durou cerca de 30 minutos e tratou de processo sobre precatórios; áudios da PF indicam que Banco Central foi mencionado na articulação do encontro  |   Bnews - Divulgação STF
Eduardo Costa

por Eduardo Costa

redacao@bnews.com.br

Publicado em 02/09/2026, às 09h35



O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, confirmou nesta quarta-feira (2) que se encontrou pessoalmente com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no início de 2025. As declarações foram dadas ao Estadão.

De acordo com Mendonça, o encontro durou cerca de 30 minutos e ocorreu  na sede do instituto educacional mantido pelo magistrado, na cidade de São Paulo.

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A revelação ocorre um dia depois de Mendonça autorizar a quebra de sigilo das informações obtidas pela Polícia Federal sobre a relação de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

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Segundo Mendonça, a reunião foi intermediada pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL), atendendo a um pedido de pessoas próximas à Igreja Batista da Lagoinha, instituição religiosa à qual pertence.

O magistrado afirmou que durante a conversa não foi citado nenhum assunto relacionado ao Banco Central. No entanto, de acordo com os áudios divulgados pela PF, o encontro foi articulado pelo advogado Ciro Rocha Soares que disse que conversou com Mendonça sobre o Banco Central.

“Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele", disse Ciro em áudio enviado para Vorcaro.

Mendonça afirmou que o tema do encontro foi uma pauta jurídica específica: a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976.  Este processo trata sobre o pagamento de precatórios decorrentes de prejuízos adquiridos de uma usina do setor sucroalcooleiro, a Agroindustrial Tabu.

A ação já tramitava no Supremo há meses. Em 2024, quando Luís Roberto Barroso era o relator da STP 976, o placar estava em 6 a 0 pela tese analisada. Em novembro daquele ano, porém, o ministro Alexandre de Moraes pediu vista do processo. O caso só foi devolvido para julgamento em fevereiro de 2026, quando Daniel Vorcaro já havia sido preso pela primeira vez.

O Banco Master passou a recorrer aos precatórios depois que o Banco Central restringiu o uso das garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Mendonça disse ainda que, durante a conversa inicial com Daniel Vorcaro, orientou que o advogado do caso se dirigisse ao seu gabinete no Supremo Tribunal Federal para apresentar seus argumentos.

Após isso, Mendonça recebeu no STF o advogado Wilson Ramalho Cavalcante Neto, responsável por lhe entregar um memorial técnico detalhando os pontos da ação.

Sobre as conversas com o advogado Ciro Batelli, o relator afirmou que já havia se encontrado com ele em diversas ocasiões. Disse, porém, não se lembrar de ter tratado sobre o Banco Central ou o caso Master antes de as investigações chegarem oficialmente ao Supremo. Após a chegada do processo à Corte, confirmou ter conversado com o advogado sobre o tema nas dependências do STF.

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