Justiça

"Antes de ser juíza, sou uma mãe": Magistrada denuncia bullying contra filho autista em escola do Litoral Norte e revela ameaças de pai de aluno

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Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 14/03/2026, às 11h40



O BNews teve acesso ao boletim de ocorrência e a registros de mensagens que detalham o conflito entre a juíza Luiza Elizabeth de Sena Sales Santos e o corretor de imóveis Tuca Pimentel, pai de um aluno da escola Villa Global Education, localizado no Litoral Norte. A magistrada afirma que a situação foi motivada por meses de bullying contra seu filho de 9 anos, que possui autismo e TDAH.

Mãe solo e divorciada, Luiza descreve o que a levou até a escola: "Foram quatro dias seguidos de súplicas do meu filho para não ir à aula. Eu fui à escola como qualquer mãe faria, para tentar falar com a professora. Não houve invasão, passei pela catraca normalmente".

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Contradições e ofensas
Diferente do que o denunciante afirma em vídeos, ele conseguiu registrar a queixa criminal contra a magistrada, o que desmente a alegação de que o "foro privilegiado" teria impedido o boletim de ocorrência.

Segundo o boletim de ocorrências, o corretor ligou para a juíza proferindo insultos. "Ele me ligou às sete horas da manhã ontem, me chamando de filha da puta da puta, de vagabunda, que eu não conhecia quem ele era. Foram 39 segundos só de condenação aos gritos", relata Luiza. Segundo o registro policial, ele ainda chamou a criança de "débil mental", expressão capacitista para ofender pessoas neurodivergentes.

Sobre o momento na escola, a magistrada enfatizou: "Eu entrei normalmente, passei pela catraca e fiquei esperando a professora no corredor. Como ela não chegou, conversei com as mães e os meninos que estavam ali. Eu disse apenas que, se continuassem chamando meu filho de ladrão, eu ia ajuizar uma ação de danos morais contra os pais. Como eu ia agredir uma criança, e que ainda estava dentro da sala e eu fora? É uma invenção", frisa.

Maternidade e proteção
A juíza reforça que não houve uso do cargo para intimidar ninguém: "Eu entrei normalmente pela catraca, estacionei meu carro e fui falar com a professora. Como ela não tinha chegado, conversei com os pais e as crianças envolvidas no corredor. Eu disse que, se continuassem chamando meu filho de ladrão, eu ia ajuizar uma ação cível de danos morais contra os pais. Não encostei em ninguém".

Para ela, trata-se de um limite emocional:

Não se trata de ser juíza. Se trata de uma mãe que não aguenta mais ver o filho ser humilhado sem que a escola tome uma providência efetiva. O que ele fez comigo foi uma tentativa de intimidação, mas as medidas judiciais agora falarão por mim".

Diante das ameaças e da incitação ao ódio nas redes sociais, a juíza solicitou medidas protetivas de urgência. A Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB) acompanha o caso para garantir a segurança da magistrada e a proteção do menor.

Em nota, a AMAB se manifestou sobre o caso:

As questões mais sensíveis da vida privada de qualquer profissional não podem e não devem ser meio de tentativas de execração pública.


Qualquer divergência deve ser resolvida nos ambientes adequados, evitando-se ao máximo expor, constranger, demonizar ou revitimizar pessoas vulneráveis e seu responsáveis.

Nenhum ataque à magistratura enquanto instituição será válido se não envolver atos praticados no exercício da função e com cabal evidência de erro. E a tentativa de massacre midiático não se justifica nem mesmo em face de questões personalíssimas.

Hipotecamos a máxima solidariedade à dileta Magistrada Luiza Elizabeth de Sena Sales Santos, exemplo de julgadora com histórico sem quaisquer máculas e que dignifica a magistratura baiana.

A defesa técnica dos interesses da magistrada e de sua esfera pessoal adotará todas as providências adequadas nos foros competentes.

Classificação Indicativa: Livre

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