Justiça

Caso Africanique: Suspeito de receber R$ 32 mil em sequestro de influenciadora é ouvido pela Justiça em Salvador

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Gabriel Giovani admitiu ter recebido o dinheiro de transferências feitas durante o sequestro de Ellen Monique em Salvador  |   Bnews - Divulgação Reprodução
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por Redação Bnews

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Publicado em 28/04/2026, às 12h01 - Atualizado às 12h41



A Justiça realiza, nesta terça-feira (28), a audiência de instrução do processo que investiga o sequestro e extorsão da influenciadora Ellen Monique Paz dos Santos, a Africanique, em Salvador. No banco dos réus está Gabriel Giovani de Jesus dos Santos, apontado como o destinatário das transferências feitas via Pix durante a ação criminosa.

O nome dele surge no rastro do dinheiro. Cerca de R$ 32,4 mil foram enviados para contas vinculadas ao investigado enquanto a influenciadora era mantida sob ameaça por homens armados, em outubro do ano passado.

Ellen foi abordada no bairro de Jardim das Margaridas, em Salvador. A vítima estava no seu veículo quando foi interceptada por três suspeitos armados que estavam em um veículo HB20 branco.

Após ser mantida sob ameaça por algum tempo e obrigada a realizar as transferências bancárias, ela foi libertada na região da Via Parafuso (BA-535), nas proximidades de um ponto conhecido como "Cascalheira", em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.

O QUE ESTÁ EM JOGO HOJE
Na audiência desta terça, testemunhas devem ser ouvidas e versões se confrontam. Embora o inquérito policial que deu origem à investigação tenha sido arquivado formalmente em novembro do ano passado, isso não encerrou a história. Pelo contrário. A decisão, assinada pelo juiz Horácio Moraes Pinheiro, apenas reconheceu que os fatos já estavam sendo tratados em uma ação penal específica, que segue em tramitação no mesmo juízo.

O QUE GABRIEL GIOVANI DSSE À POLÍCIA
Em depoimento após a prisão, Gabriel Giovani disse que “emprestou” a própria conta para receber as transferências feitas pela influenciadora Ellen Monique Paz dos Santos enquanto ela ainda estava sob ameaça. Admitiu também que sabia da origem ilícita dos valores, embora tenha alegado que, naquele momento, não tinha clareza de que se tratava de um sequestro em andamento.

A entrada dele, segundo o próprio relato, veio por meio de um contato identificado como Ruan, também chamado de “DG”. Foi esse homem quem teria feito a proposta: usar contas digitais para receber depósitos e, depois, redistribuir o dinheiro. Haveria pagamento pelo serviço. Gabriel diz que aceitou porque enfrentava dificuldades financeiras.

Quando os valores caíram, pouco mais de R$ 32 mil, vieram as instruções. Pelo celular, passou a seguir orientações para fragmentar o montante e espalhar o dinheiro por outras contas. Citou nomes: Mateus, Gilmário e Jardel. A ideia, ainda de acordo com o depoimento, era diluir as quantias para evitar bloqueios bancários e facilitar o saque.

À polícia, ele afirmou que não estava na abordagem. Contou que não participou da ação armada, não entrou no carro da vítima e não teve contato direto com ela. Seu papel, como descreve, ficou restrito à parte “bancária” do esquema.

A prisão aconteceu logo depois, quando ainda estava com celulares e cartões usados nas transações. Abordado por equipes da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos, não resistiu. Naquele momento, indicou Ruan como quem coordenava a operação.

QUEM É RUAN, O 'DG'?
Apontado no processo apenas pelo prenome ou pela alcunha “DG”, Ruan aparece como a engrenagem que organizava o dinheiro. É ele, segundo o depoimento de Gabriel Giovani, quem recrutava pessoas dispostas a ceder contas bancárias em troca de comissão, os chamados “conteiros”.

Durante a ação, teria sido o responsável por enviar, em tempo real, as instruções sobre para onde os valores deveriam ser redistribuídos assim que caíssem na conta inicial, numa tentativa de dificultar o rastreamento.

Apesar de ser tratado como peça-chave na conexão entre quem executou a abordagem armada e quem operou as transferências, Ruan não foi localizado nas diligências iniciais. Segundo apurado pela reportagem, até aqui, segue sem identificação completa nos autos e não foi preso.

QUEM APARECE NO RELATÓRIO DA POLÍCIA

Gabriel Giovani de Jesus dos Santos
Apontado como o principal operador das contas. Foi quem recebeu R$ 32,4 mil e, na sequência, distribuiu o dinheiro para outros envolvidos. Acabou preso em flagrante.

Ruan (ou “DG”)
Descrito como o articulador da parte financeira. Teria recrutado Gabriel, indicado as contas a serem usadas e orientado, por mensagens, como o dinheiro deveria ser pulverizado.

A rede de escoamento
Conhecidos como "contas de passagem". Esses suspeitos recebem frações menores do dinheiro vindas da conta de Gabriel para "pulverizar" o valor rapidamente, dificultando que a polícia recupere o dinheiro total se prender apenas uma pessoa.

Mateus Lima de Araújo
Recebeu R$ 5 mil. Aparece como um dos destinatários usados para escoar o dinheiro.

Jardel de Jesus Santos
Também recebeu R$ 5 mil, dentro da mesma lógica de fragmentação dos valores.

Cassio Silva Santos
Ficou com R$ 2 mil. É citado como mais um elo na cadeia de repasses.

Tailan Santos de Jesus
Recebeu R$ 1 mil.

Gilmário Santos de Jesus
Também aparece com R$ 1 mil em transferências.

Humberto Santos da Silva
Recebeu R$ 300.

Caique dos Santos Conceição
Teve R$ 1,5 mil creditados em conta.

Executores não identificados
Pelo menos três homens armados participaram diretamente da abordagem à vítima. São eles que fizeram o sequestro, mas seguem sem identificação formal no processo.

O SEQUESTRO
O episódio aconteceu em 3 de outubro de 2024. Africanique saía de casa quando foi surpreendida. Homens encapuzados entraram no carro, assumiram o controle e seguiram em direção à Estrada Velha do Aeroporto, em Salvador.

Dentro do veículo, vieram as ordens: transferências imediatas via Pix. Depois de realizar os envios, ela foi liberada sem ferimentos. No dia seguinte, apareceu nas redes sociais para tranquilizar os mais de 400 mil seguidores.

PRISÃO E DESDOBRAMENTOS
A resposta policial também veio rápido. Quando Gabriel Giovani foi preso em flagrante pouco depois do crime, justamente após o recebimento dos valores. Ele foi levado para a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos, autuado por extorsão mediante sequestro e permaneceu à disposição da Justiça. O processo que agora avança trata exatamente desse núcleo: quem participou, quem recebeu, quem ordenou.

Classificação Indicativa: Livre

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