Justiça

Caso Emerson: Defesa do corredor diz que filho de vereadora “transformou carro em arma” e testemunhas confirmam embriaguez

Rafaela Kalil / BNews
Primeira audiência do atropelamento de corredo Emerson Pinheiro ocorreu no Fórum Criminal de Salvador nesta quinta-feira (21)  |   Bnews - Divulgação Rafaela Kalil / BNews


A primeira audiência de instrução do caso envolvendo o atropelamento do corredor amador Emerson Silva Pinheiro foi realizada nesta quinta-feira (21), no Fórum Criminal de Salvador, no bairro de Sussuarana.

O processo apura a responsabilidade de Cleydson Cardoso, filho da vereadora Débora Santana, acusado de tentativa de homicídio com dolo eventual após atingir o atleta na orla da Pituba, em agosto de 2025.

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Ao fim da audiência nesta quinta, o advogado da vítima, Rogério Mattos, afirmou em entrevista exclusiva ao BNews que as testemunhas confirmaram em juízo os relatos prestados anteriormente à polícia e reforçaram que o motorista apresentava sinais visíveis de embriaguez no momento do acidente.

Ficamos bastante satisfeitos, porque absolutamente todas as testemunhas confirmaram os seus depoimentos no inquérito policial e afirmaram veementemente que o Cleydson estava dirigindo visivelmente embriagado. Algumas das testemunhas falam que o cheiro, o hálito dele de álcool era bastante forte, que ele estava bastante cambaleando, que não conseguia sequer soprar o bafômetro”, declarou.

Segundo o advogado, esta foi a primeira vez que Emerson foi ouvido oficialmente dentro do processo judicial. Na fase do inquérito policial, o corredor permanecia internado no Hospital Geral do Estado (HGE), em coma, e não tinha condições de prestar depoimento.

“Graças a Deus é vítima e está viva, então ele foi o primeiro a ser ouvido. Inclusive foi a primeira vez que ele foi ouvido nesse procedimento, porque no momento que estava correndo inquérito policial, ele estava internado, inclusive em coma, no HGE e não pôde falar”, afirmou Rogério Mattos.

Ainda de acordo com a defesa da vítima, Emerson relatou durante a audiência que pediu ajuda ao acusado logo após o atropelamento, mas que o motorista teria deixado o local: “Ele falou inclusive que o senhor Cleydson, depois do acidente, chegou perto dele, ele pediu socorro ao senhor Cleydson, e ele se retirou do local, deixando ele lá, se contorcendo de dor”, disse o advogado.

O caso ocorreu em 16 de agosto de 2025, na orla da Pituba, quando Emerson treinava para a Maratona de Buenos Aires. O impacto da colisão provocou a amputação de uma das pernas do atleta, estudante de Educação Física.

Para a acusação, o conjunto de provas sustenta o enquadramento por tentativa de homicídio com dolo eventual, e não apenas crime de trânsito. Rogério Mattos argumentou que o acusado assumiu o risco ao dirigir após consumir bebida alcoólica.

Ele, a partir do momento que alguém passa a noite toda embriagada, se embriagando a noite toda, e pega um veículo automotor e sai para dirigir, ele transforma esse veículo em uma arma potencial e ele assume, portanto, o risco de atropelar alguém”, afirmou.

O advogado também citou a destruição causada pelo veículo para sustentar a tese de excesso de velocidade: “Nós sabemos, em conta dos autos processuais, que aquela via só pode se trafegar a 40 km por hora. Observe, o senhor Cleydson, com o seu veículo, derrubou uma árvore, uma palmeira, derrubou uma barricada e atingiu o Emerson amputando a sua perna, imagine a velocidade que esse cidadão não estava”, completou.

Durante a audiência, foram mantidas as medidas cautelares impostas ao réu. Cleydson seguirá utilizando tornozeleira eletrônica, cumprindo recolhimento domiciliar noturno e nos finais de semana, além de permanecer proibido de deixar Salvador.

A próxima audiência está marcada para o dia 9 de julho, quando serão ouvidas as testemunhas de defesa e ocorrerá o interrogatório do acusado. Após o encerramento da instrução, a Justiça decidirá se o caso será levado a júri popular.

Além da esfera criminal, a Justiça da Bahia determinou que Débora Santana e o filho paguem pensão mensal de R$3 mil a Emerson, custeiem moradia adaptada e arquem com duas próteses, sendo uma de uso diário e outra esportiva. O Tribunal de Justiça da Bahia manteve a decisão após recurso da defesa da parlamentar.

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