Justiça
por Cibele Gentil
Publicado em 20/04/2026, às 14h03
Monique Medeiros, acusada de participação no assassinato do próprio filho, Henry Borel, entregou-se à polícia na manhã desta segunda-feira (20), na delegacia de Bangu. No último sábado, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve a ordem de prisão, determinando seu retorno à carceragem.
O ministro também rejeitou outros pedidos um recurso dos advogados da professora, como a concessão de um prazo para que Monique se apresente voluntariamente e a definição prévia de um local específico de custódia. O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, que também responde pela morte de Henry, permanece preso.
Adiamento de júri
Monique estava solta desde 23 e março, quando o julgamento pela morte do filho foi adiado após os advogados do ex-vereador Dr. Jairinho abandonarem o plenário. A juíza responsável pelo caso, Elizabeth Louro, classificou a ação como "abandono ilegítimo" e marcou para 25 de maio a retomada do júri.
Na decisão, ela determinou ainda o relaxamento da prisão de Monique Medeiros, com expedição de alvará de soltura. Segundo entendimento da juíza, mantê-la no presídio significaria um “constrangimento legal”, já que a ré não contribuiu para o adiamento.
Pai de Henry Borel se manifesta
Após Monique Medeiros se entregar à polícia na manhã desta segunda-feira, Leniel Borel, pai da criança, afirmou a uma coluna do Metrópolis que a decisão do STF foi necessária para proteger o processo, o julgamento e as testemunhas. Ele alertou para as “manobras que vêm tentando sabotar a Justiça”.
Para o pai, o ministro Gilmar Mendes reconheceu o risco concreto que a soltura de Monique Medeiros representa e reafirmou a gravidade extrema do crime, cobrando celeridade no julgamento. “O que está em jogo não é apenas a memória do meu filho Henry, mas o respeito à Justiça e à própria sociedade. Eu sigo lutando como pai, como vítima e como assistente de acusação, e não vou aceitar nenhum retrocesso”, finalizou.
Sobre o caso Henry Borel
Na tarde do dia 7 de março de 2021, Henry Borel fez um passeio com o pai, o engenheiro Leniel Borel de Almeida. Por volta das 19h20, a mãe de Henry, a professora Monique Medeiros, encontrou o ex-marido e o filho na portaria do prédio onde morava junto com a criança e o então namorado, o médico e vereador Dr. Jairinho.
Às 3h30, o casal levou Henry para a emergência do Hospital Barra D’Or após ele ser encontrado caído no chão do quarto, com mãos e pés gelados e olhos revirados. Segundo eles, o menino teria caído da cama.
As pediatras da unidade atestam a morte. Em depoimento, elas garantiram que ele já chegou morto ao hospital. O corpo de Henry é levado para o Instituto Médico-Legal (IML).
O laudo da necropsia revelou que o menino tinha 23 lesões e que o óbito ocorreu em um intervalo de quatro horas após sofrer hemorragia interna provocada por lesão hepática. Com as investigações, o depoimento de testemunhas confirmaria os relatos de agressões.
No dia 8 de abril, Dr. Jairinho e Monique são presos, acusados de envolvimento na morte de Henry. Após um mês de investigação, a polícia concluiu que o vereador agredia o enteado, e que a mãe da criança sabia disso. O casal foi encontrado numa casa da família em Bangu, Zona Oeste do Rio, e levado para a 16ª DP (Barra da Tijuca).
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