Justiça
por Leonardo Oliveira
Publicado em 27/04/2026, às 23h08
O advogado Hédio Silva Jr. trouxe nesta segunda-feira (27), os bastidores dos embates no plenário do julgamento que resultou na condenação dos primeiros envolvidos no assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete Pacífico, ocorrido em agosto de 2023, em Simões Filho (BA).
Na ocasião, o Tribunal do Júri realizado no dia 13 de abril de 2026, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, condenou Marílio dos Santos, identificado como mandante do crime, a 29 anos e 9 meses de prisão pelo assassinato da líder quilombola. Marílio foi julgado junto com Arielson da Conceição dos Santos, condenado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito.
O julgamento se estendeu por dois dias e foi marcado por forte tensão e ampla repercussão. A acusação foi sustentada, em plenário, pelos promotores de Justiça Raimundo Moinhos e Felipe Pazzola, em conjunto com Hédio Silva Jr. e a advogada Andressa Arruda, que atuaram na representação da família.
Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube
De acordo com Hédio, "foi feita justiça no caso de mãe Bernadete. Uma resposta que a família ansiava, uma resposta que a comunidade quilombola ansiava", destacando que a qualidade do trabalho investigativo da Polícia Civil da Bahia foi determinante para o resultado, como o rastreamento de antenas de celular, interceptações telefônicas e extração de dados telemático, que culminaram em "provas irrefutáveis".
"As provas de rastreamento de antena de celular, interceptação telefônica, afastamento de sigilo telemático, telefônico, etc., as provas eram irrefutáveis. As provas eram irrefutáveis e ele (Arielson) era réu confesso. Então, ali nós não tínhamos absolutamente qualquer dúvida, e eu disse isso várias vezes antes do julgamento, não tinha qualquer dúvida de que seria condenação à pena máxima", explicou.
O advogado ainda disse que provar a autoria intelectual de Marílio exigiu um trabalho minucioso de 3.000 páginas de processo, conectando provas sobre a motivação do crime, a resistência de Mãe Bernadete ao tráfico de drogas na comunidade, às ordens dadas pelo mandante. "O mandante não envia um ofício para o executor. O desafio no Tribunal do Júri é ir de um processo de 3.000 páginas, destacando aquela conexão entre as várias espécies de provas que apontavam a ordem de Marílio", conta.
Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube
Hédio ainda fez um alerta sobre a violência contra lideranças quilombolas no Brasil e pediu atenção à segurança de Jurandi Pacífico, filho e sucessor de Mãe Bernadete. "São 50 lideranças quilombolas mortas no Brasil nos últimos cinco anos. É uma liderança quilombola morta por ano. Nós precisamos preservar a vida de Jurandi Pacífico, de Wellington Pacífico e de qualquer liderança que luta", destacou.
O mandante Marílio foi localizado pela polícia no dia seguinte ao julgamento e morto em confronto menos de 12 horas depois de ser condenado. Ele foi encontrado durante uma operação policial na zona rural da cidade e morreu após trocar tiros com policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), na madrugada do dia 16 de abril, em Catu, na Região Metropolitana de Salvador.
Ver essa foto no Instagram
Classificação Indicativa: Livre
Imperdível
Super desconto
Café perfeito
famoso copo
Imperdível