Justiça
por Mariana Cedrim
Publicado em 13/10/2026, às 22h50
Rosilene Santana tomou posse no Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), em 2023, mas o caminho da baiana até chegar esse dia não foi fácil. Nascida na comunidade de Pajeú, zona rural de Oliveira dos Brejinhos, no oeste da Bahia, a magistrada é filha de agricultores e tem seis irmãos.
Vivendo em condições precárias, sem energia elétrica e sem água encanada, a juiza contou que precisou superar a fome, o trabalho infantil, além falta de acesso à educação. Rosilene, junto com os irmão, ajudava o pai no plantio e também participavam da colheita.
"Começamos a trabalhar muito pequenas, puxando boi e cavalo para arar a terra, porque não tínhamos condições de usar trator. Meu pai vinha atrás empurrando o arado e a gente ia na frente conduzindo os animais". A família dependia exclusivamente do trabalho na terra para sobreviver.
Ainda na infância, Rosilene era chamada de "juiza da família", por ser a figura que sempre intermediava a dicussão entre os irmãos. ''Eu sempre tive um senso de querer saber quem estava certo, quem estava errado nas coisas. E eu, com aquela idade, não tinha a menor ideia do que era ser juíza, mas eles repetiam tanto aquilo que me fizeram colocar a ideia na cabeça''.
Rosilene e a irmã, com quem dividia o sapato, deixaram a Bahia e se mudaram para Colatina, no Espírito Santo, onde precisou fazer um supletivo para concluir o 3º ano do ensino médio, após perder o prazo da matrícula regular. Ela concluiu a etapa em apenas três meses e logo conseguiu um emprego de doméstica.
Um tempo depois, a juiza teve que escolher entre o trabalho e os estudos. Após priorizar sua formação, ela conseguiu emprego na casa de outra família que lhe dava total apoio na preparação para ingressar no curso de direito. Ainda no 9º semestre da faculdade, foi aprovada de primeira no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Foram cinco anos se dedicando aos concursos, mais de 14 provas realizadas em diversos estados, sem êxito. Até que, em março de 2020, pouco antes do início dos confinamentos da pandemia de Covid-19, a juiza fez a primeira etapa do concurso para juiz do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC).
"Fiz a prova no dia 3 e, no dia 16, já saiu o resultado. Em 24 de novembro, veio a nomeação e tomei posse em 8 de dezembro, Dia da Justiça. É muito simbólico tomar posse, depois de tudo o que vivi, no cargo que eu sonhava desde os 7 anos."
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