Justiça

Corregedoria do TJBA revela falta de comida e segurança precária em presídio de Vitória da Conquista

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Ações visam sanar carências e promover a ressocialização, com foco em educação e trabalho para os presos  |   Bnews - Divulgação Foto: Divulgação
Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 20/01/2026, às 12h00



Uma inspeção ordinária da Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) revelou as condições precárias do Presídio Advogado Nilton Gonçalves, em Vitória da Conquista. Em decisão recente, o corregedor geral, desembargador Roberto Maynard Frank, determinou uma série de medidas urgentes para sanar irregularidades que atingem desde a segurança das muralhas até a dignidade básica dos detentos. 

O documento revela um cenário de carência extrema, onde falta inclusive roupa de cama para os internos, obrigando o Judiciário a cobrar o fornecimento imediato desses itens e a contratação de psicólogos para o atendimento na unidade. Um dos pontos da decisão diz respeito à alimentação servida no presídio. Diante das constantes reclamações dos detentos sobre a quantidade insuficiente de comida, o corregedor ordenou que o contrato com a empresa terceirizada Aroma e Sabor seja verificado minuciosamente.

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Além da questão humanitária, a segurança pública também é foco de preocupação. O desembargador determinou a instalação de bodyscans e telas de proteção nos solários, estratégias para barrar o arremesso de objetos ilícitos. Para reforçar a vigilância externa, a Polícia Militar será oficiada a ocupar as guaritas e torres da unidade, combatendo a vulnerabilidade que facilita a entrada de materiais proibidos.

No campo da ressocialização, o despacho impõe a ampliação de vagas de trabalho remunerado, o aumento das bolsas Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) e a criação de novas salas de aula para alfabetização e cursos profissionalizantes. O projeto de remição de pena pela leitura também deve ser impulsionado com a criação de uma comissão de avaliação específica. 

Após relatos de demora nos atendimentos, a Corregedoria oficiou a Defensoria Pública para regularizar a presença na unidade.Em resposta aos apontamentos, a Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) esclareceu que já foi oficiada e que mantém um cronograma rigoroso no Nilton Gonçalves. Segundo a instituição, existe um rodízio mensal de defensores, com atendimentos realizados todas as segundas e terças-feiras, sendo as segundas-feiras dedicadas exclusivamente aos internos daquela unidade. 

A Defensoria informou que, somente em 2025, já realizou 135 atendimentos no local e justificou que qualquer redução pontual no serviço ocorreu por questões administrativas ou operacionais, sem que houvesse interrupção na assistência jurídica. O órgão reafirmou seu compromisso com os direitos das pessoas privadas de liberdade e garantiu que a defesa dos internos segue sendo prioridade.

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