Justiça
por *com informações da repórter Claudia Cardozo
Publicado em 03/06/2026, às 07h21
O ex-ministro da Fazenda e do Planejamento e atual diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, afirmou nesta quarta-feira (3), durante o XIV Fórum de Lisboa, em Portugal, que o chamado "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos foi provocado por "políticos irresponsáveis que atuam contra o Brasil".
A declaração foi feita durante painel realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), acompanhado pela equipe do BNews. O economista também avaliou que o cenário econômico deverá permitir uma redução mais acelerada da taxa Selic a partir do início do próximo ano.

Ao analisar o cenário internacional, Barbosa afirmou que as discussões sobre tarifas comerciais não podem obscurecer transformações estruturais mais profundas em curso na economia mundial, mas criticou duramente os impactos provocados pelas recentes medidas comerciais.
"Estamos sempre muito pressionados pelo assunto do momento. Essa semana é mais um tarifaço, o impacto provocado por políticos irresponsáveis que atuam contra o Brasil", declarou.
Apesar das turbulências externas, o economista demonstrou otimismo com o comportamento da inflação brasileira nos próximos meses e indicou que o Banco Central poderá iniciar um ciclo mais intenso de flexibilização monetária em 2027.
Segundo Barbosa, antes do agravamento dos conflitos no Golfo Pérsico, as projeções apontavam inflação entre 3,5% e 4%. Com a escalada das tensões geopolíticas, a expectativa passou para um intervalo entre 4,5% e 5%, mas a tendência continua sendo de desaceleração.
"A boa notícia é que vai cair", afirmou. Na avaliação do ex-ministro, as projeções do mercado indicam uma redução mais rápida da inflação já nos primeiros meses do próximo ano. "Provavelmente estaremos discutindo uma queda mais rápida da Selic", disse ao comentar o cenário esperado para março e abril de 2027.
Barbosa também saiu em defesa da condução fiscal do governo federal e argumentou que o processo de ajuste das contas públicas já está em andamento. Segundo ele, o déficit primário caiu significativamente desde o início do atual mandato presidencial. "O déficit no primeiro ano foi de 2% do PIB. Hoje, é 0,5%. Já está em curso o processo de equilíbrio fiscal gradual", afirmou.
Para o economista, experiências internacionais mostram que ajustes fiscais sustentáveis dependem de três fatores: distribuição das medidas ao longo do tempo, combinação entre aumento de receitas e controle de despesas e percepção de justiça por parte da sociedade.
"Não pode ser só em cima de um setor. Não pode ser só em cima de uma classe social. Se todo mundo der sua contribuição, todo mundo sente que aquele processo está sendo justo", argumentou.
Durante sua exposição, Barbosa também apresentou números do BNDES e destacou a retomada dos investimentos no país. Segundo ele, as consultas ao banco cresceram 50% no primeiro quadrimestre do ano, enquanto as aprovações e desembolsos avançaram 41%.
O diretor ressaltou ainda o fortalecimento de programas voltados para pequenas e médias empresas, investimentos em inovação, transição energética e projetos de infraestrutura social, incluindo iniciativas voltadas à segurança pública e ao combate ao crime cibernético.
Ao encerrar sua participação, o economista apontou três grandes transformações que, na sua avaliação, moldarão as próximas décadas: a transição climática, a revolução tecnológica impulsionada pela inteligência artificial e a mudança demográfica decorrente do envelhecimento da população.
Segundo ele, essas mudanças exigirão adaptações regulatórias, novos investimentos públicos e privados e o fortalecimento de instituições responsáveis pela supervisão de setores estratégicos da economia. "Temos que fortalecer mais nossos órgãos reguladores, principalmente na questão de regulação financeira", concluiu.
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