Justiça

Direto de Lisboa: Presidente da Febraban alerta para fraudes digitais e defende fortalecimento do Banco Central

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Isaac Sidney defende autonomia dos reguladores: "O Banco Central brasileiro tem grande credibilidade internacional"  |   Bnews - Divulgação BNews


O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, alertou nesta quarta-feira (3) para o avanço das fraudes digitais e da criminalidade financeira impulsionadas pelas novas tecnologias. Durante participação no XIV Fórum de Lisboa, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), o dirigente defendeu o fortalecimento do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como parte da estratégia para garantir a segurança e a estabilidade do sistema financeiro brasileiro.

A cobertura do evento é realizada pela equipe do BNews, que acompanha os debates do fórum, considerado um dos principais espaços de discussão entre autoridades, juristas, acadêmicos e representantes dos setores público e privado dos países de língua portuguesa.

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Ao abordar os impactos da transformação digital no mercado financeiro, Sidney destacou que a inovação trouxe ganhos importantes para consumidores e empresas, mas também abriu espaço para novas modalidades de golpes e ataques cibernéticos.

"Precisamos enfrentar esse lado sombrio da tecnologia, que acabou enveredando pelo crime", afirmou.

Segundo o presidente da Febraban, as fraudes financeiras na era digital representam uma ameaça à confiança, à integridade e ao funcionamento regular das atividades econômicas. Para ele, o enfrentamento desse cenário exige uma ação coordenada entre setor privado, poder público e organismos internacionais.

"É preciso um esforço conjunto entre vários setores econômicos, uma coordenação com o poder público e uma cooperação internacional para que a gente possa enfrentar esse desafio", defendeu.

Ainda dentro da agenda regulatória, Isaac Sidney ressaltou a necessidade de fortalecer as instituições responsáveis pela supervisão do mercado financeiro brasileiro.

"A regulação bancária brasileira não deve nada a nenhuma geografia do mundo, assim como a supervisão bancária e financeira. O que nós precisamos é fortalecer os reguladores, tanto o Banco Central quanto a CVM", declarou.

O executivo afirmou que é fundamental preservar a autonomia técnica dos órgãos reguladores e garantir condições institucionais para que continuem exercendo suas funções de fiscalização e supervisão com independência.

Outro ponto destacado pelo dirigente foi a necessidade de atualizar as regras de supervisão diante das mudanças provocadas pelo crescimento das fintechs e de empresas de tecnologia que passaram a oferecer produtos e serviços financeiros.

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Segundo ele, as fronteiras entre bancos, instituições financeiras e empresas tecnológicas estão cada vez mais difusas, o que exige uma revisão do perímetro regulatório para evitar assimetrias e riscos ao sistema.

"Quem regula esses agentes? Como evitar uma arbitragem regulatória? Como preservar a resiliência do sistema financeiro como um todo?", questionou.

Durante sua exposição, Isaac Sidney também fez uma análise do cenário econômico internacional. Na avaliação do presidente da Febraban, o mundo vive um período marcado por custos mais elevados, aumento das incertezas geopolíticas e pressões inflacionárias persistentes.

O dirigente citou os efeitos da pandemia da Covid-19, as mudanças nas cadeias globais de produção e a nova postura econômica adotada pelos Estados Unidos como fatores que contribuíram para um ambiente econômico mais complexo.

"O mundo está com mais inflação, com juros médios mais elevados e, portanto, isso gera mais incerteza", afirmou.

Apesar dos desafios, Sidney avaliou que o Brasil demonstrou resiliência diante das crises internacionais recentes e destacou o papel desempenhado pelo Banco Central na condução da política monetária.

"É fundamental que nós continuemos apoiando o Banco Central brasileiro, que tem feito um trabalho promissor e tem tido capacidade de enfrentar os desafios internacionais", disse.

O presidente da Febraban também defendeu a continuidade do ajuste fiscal e a retomada de reformas estruturais para melhorar o ambiente de negócios, ampliar a segurança jurídica e estimular investimentos.

Para ele, a combinação entre responsabilidade fiscal, estabilidade institucional e fortalecimento dos órgãos reguladores será decisiva para que o país consiga enfrentar os desafios de um cenário global cada vez mais complexo e digitalizado.

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