Justiça

Doméstica escravizada por 44 anos em casa na Bahia vai receber indenização de R$ 500 mil

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Caso aconteceu em Porto Seguro; doméstica chegou em casa na Bahia com apenas seis anos  |   Bnews - Divulgação Divulgação | EBC
Alex Torres

por Alex Torres

Publicado em 23/09/2024, às 17h12 - Atualizado às 17h38



Uma mulher de 50 anos, identificada pelo nome fictício de 'Maria', vai receber indenização de R$ 500 mil após ter sido mantida em condição análoga à escravidão por 44 anos. O caso aconteceu na cidade de Porto Seguro, extremo sul da Bahia.

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A decisão foi publicada na tarde desta segunda-feira (23), pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Maria tinha apenas seis anos quando chegou na casa de Heny Peluso Loureiro para trabalhar como doméstica.

De acordo com o órgão estadual, a vítima sequer tinha certidão de nascimento, que foi obtida pela patroa muitos anos depois e com documentos falsos. Sem informações sobre origem, a suspeita é que Maria seja oriunda do continente africano.

Durante mais de 40 anos, a vítima não estudou, não fez amizades, nem teve relacionamentos. Sua vida era voltada totalmente para servir à família de Heny Peluso Loureiro e não recebia nada por isso, além de casa e comida.

Após a morte da patroa, a funcionária doméstica vai morar com um dos filhos da ex-empregadora, sofre maus-tratos e decide procurar ajuda. O amparo veio primeiro por uma amiga da vizinhança, depois por uma advogada que resolveu se envolver na situação e buscar órgãos públicos.

Com o acordo firmado e homologado pela Justiça do Trabalho, a indenização de R$500 mil deve ser quitada até fevereiro. O valor será obtido com a venda pelos dois herdeiros da empregadora de uma casa e uma fazenda. Segundo o MPT, os dois filhos da ex-patroa estão mantendo o pagamento de um salário mínimo mensal.

Atualmente, Maria está empregada com carteira assinada e vivendo num imóvel alugado. Estuda à noite para finalmente se alfabetizar e vive seu primeiro relacionamento amoroso.  

Classificação Indicativa: Livre

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