Justiça
por Samuel de Jesus
Publicado em 05/11/2026, às 07h49
O presidente e controlador do grupo farmacêutico Cimed, o empresário João Adibe, é acusado de utilizar fórmulas desenvolvidas por outra empresa para lançar seis produtos de higiene bucal. A denúncia foi apresentada pela fabricante Indústrias Suavetex, que aponta supostos crimes contra a propriedade industrial e pede uma indenização mínima de R$ 10 milhões na Justiça.
Segundo reportagem da coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles, publicada nesta quinta-feira (5), as formulações teriam sido compartilhadas com a Cimed durante negociações para a criação de uma sociedade entre as empresas. O acordo entre as duas empresas previa que a Suavetex seria responsável pela fabricação dos produtos, enquanto o grupo da Cimed cuidaria da distribuição e comercialização.
A fabricante alega que, após receber as informações técnicas, João Adibe teria interrompido as negociações e cancelado a marca Carmed 12 Horas, que faria parte da linha de higiene bucal.
De acordo com a queixa-crime, a Suavetex informou que seis produtos foram lançados em dezembro de 2025 pela linha Super, com os mesmos códigos de barras e composições dos itens desenvolvidos pela fabricante.
A empresa afirma que as informações técnicas foram fornecidas para que os produtos fossem registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dentro do projeto de associação comercial com a Cimed. A fabricante também relata que, em agosto de 2025, recebeu a comunicação de cancelamento da marca Carmed 12 Horas.
Em seguida, os seis produtos do acordo comercial teriam sido notificados à ANVISA sob a marca Super, tendo a Icefresh Indústria e Comércio do Brasil Ltda. sido indicada como fabricante.
Luciano Huck entre as testemunhas indicadas pela defesa da Suavetex. O nome dele foi incluído por sua ligação com a Joatinga Capital, empresa que participou de uma joint venture com o grupo Cimed e o Grupo Globo, aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Outro nome envolvido e de Roberto Marinho Neto, integrante do Comitê de Marketing e Mídia da Cilab S.A. e herdeiro do Grupo Globo, também foi indicado como testemunha.
A Suavetex afirma ainda que, em setembro de 2025, aceitou uma proposta de João Adibe para a aquisição integral da empresa por R$ 120 milhões.
Além da apuração dos supostos crimes contra a propriedade industrial, a Suavetex solicita uma indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais. As acusações ainda dependem de análise da Justiça e não representam uma condenação dos envolvidos segundo o colunista da Metrópoles.
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