Justiça
Muitos pensam que é o Carnaval que mobiliza a maior parte da estrutura e logística brasileira para se consolidar. Porém, é observando os bastidores da Justiça Eleitoral que se percebe quantas pessoas estão envolvidas para concretizar a chama Festa da Democracia e garantir que todos os brasileiros e brasileiras possam exercer o direito de voto neste domingo (4). No estado, estão mobilizados 199 juízes que atuam na área eleitoral, além dos auxiliares e membros do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).
Em conversa com a reportagem do BNews, juízes eleitorais de diferentes regiões do estado relataram os preparativos na reta final, as particularidades de cada comarca, medidas de segurança, como a decretação de Lei Seca, e os desafios para assegurar que cada cidadão, do centro urbano ao povoado mais isolado, exerça a cidadania.
Na Zona 40, em Vitória da Conquista, a extensão territorial é o grande desafio da logística. A cidade tem distritos distantes em até 90km da sede. Com isso, o planejamento envolve centenas de colaboradores e um cronograma milimétrico de distribuição e recolhimento das urnas.
"Temos 245 locais de votação situados na zona rural, o que exige uma operação cuidadosa de transporte, preparação dos espaços e orientação de quem vai atuar na ponta. Por trás de cada urna, há uma comunidade, uma história e pessoas que confiam na Justiça Eleitoral para que sua voz seja respeitada", pontua a juíza Julianne Nogueira.
Ela acrescenta que a eleição é uma operação coletiva, reunindo forças de segurança, servidores, técnicos e voluntários para garantir que nenhum imprevisto afaste o eleitor do processo democrático.
É um trabalho que envolve servidores da Justiça Eleitoral, mesários, equipes de apoio, forças de segurança e diversos outros parceiros. Cada detalhe precisa ser pensado previamente para que o eleitor encontre, no dia da eleição, uma estrutura preparada para exercer o seu direito de voto. A própria Justiça Eleitoral trata a logística como uma operação que começa meses antes do pleito, especialmente para alcançar áreas mais distantes e de difícil acesso”, explica a magistrada.
Para Julianne Nogueira, “atuar em um pleito dessa dimensão é, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade e uma experiência muito significativa”.

“A Justiça Eleitoral tem a missão de garantir que cada cidadão possa exercer seu direito de voto com liberdade, segurança e tranquilidade. E existe uma dimensão humana muito forte nesse trabalho: por trás de cada urna, há uma comunidade, uma história e pessoas que estão confiando na Justiça Eleitoral para que sua participação no processo democrático seja respeitada”, avalia Julianne.
No Extremo Oeste baiano, na 134ª Zona Eleitoral, sediada em Correntina, a juíza Josélia enfrenta uma barreira geográfica expressiva. Na comarca, algumas seções chegam a ficar a 200 quilômetros de distância do cartório eleitoral.
Com uma equipe direta composta por 13 pessoas na coordenação, o trabalho começou dias antes com a checagem técnica e lacração das urnas, além de reuniões de alinhamento com a Polícia Militar e representantes partidários.]

Fizemos reuniões com a polícia sobre segurança, sobre como proceder no dia das eleições, e orientamos os representantes dos partidos em relação ao que os fiscais podem e não podem fazer. Eu também vou para a rádio local para passar informações aos eleitores quanto às proibições, às vedações e ao que eles podem ou não fazer", destacou Josélia.
Para resguardar a ordem pública e assegurar que o pleito ocorra em clima pacífico, a magistrada baixou norma restringindo o consumo de álcool.
Editamos uma portaria no dia 29 de setembro informando que a partir das 18 horas até o dia 3 de outubro, às 20 horas, não poderá haver consumo nem comercialização de bebidas alcoólicas em bares, trailers e hotéis aqui da cidade de Correntina. Estamos trabalhando arduamente para garantir esse processo eleitoral", explicou a juíza.
A magistrada enfatizou que a atuação preventiva é indispensável para cumprir os prazos: "O nosso maior desafio aqui é a questão de logística, de transporte, já que tem alguns distritos que são mais longe, mas nós já estamos buscando fazer de uma forma preventiva para que nenhuma ocorrência venha a se concretizar, para que tudo ocorra na maior das naturalidades e a gente comece a transmissão dos boletins a partir das 17 horas".
Na Zona Eleitoral de Itororó, o juiz Tardelli Boaventura assumiu a jurisdição na reta final, designado às vésperas da eleição. Apoiado pela estrutura montada pelos servidores efetivos do TRE e profissionais requisitados da prefeitura, o magistrado optou por não baixar portarias restritivas de última hora, concentrando a mensagem no valor do voto livre e consciente.

Para mim, como magistrado, é muito importante participar desse processo porque, como diz o slogan, a Justiça Eleitoral é a justiça da democracia. E, às vezes, as pessoas não dão tanto valor à democracia, mas tem coisas que a gente só dá valor quando perde. O processo democrático é fundamental para poder garantir o poder do cidadão de escolher os seus representantes", afirmou Tardelli.
O magistrado fez um apelo contra a atuação ilegal de cabos eleitorais no entorno dos locais de votação: "A Justiça Eleitoral tem esse papel de fazer com que as regras sejam aplicadas com imparcialidade, com impessoalidade, e que realmente ganhe quem tenha mais votos da maneira limpa, por convencimento do eleitor. Acho que já teve tempo suficiente para formar o convencimento de quais seriam os melhores candidatos e ir para as urnas com tranquilidade, serenidade, estando imune a apelações, pedidos de voto e eventuais bocas de urna. Vale inclusive avaliar se candidatos que pagam para fazer boca de urna merecem o voto".
Já na região cacaueira, a jurisdição conduzida pelo juiz Eduardo Camillo abrange os municípios de Ubatã, Ibirapitanga e Barra do Rocha. Na comarca, seis servidores de carreira e mais de uma centena de colaboradores foram mobilizados para viabilizar, em especial, o deslocamento dos votantes que vivem longe dos centros urbanos.

O desafio logístico nosso é o interior, as zonas rurais, onde a população não tem o transporte. Com isso, nós disponibilizamos ônibus para buscar essa população na zona rural e trazer para os colégios eleitorais para votarem", pontuou Camillo.
O magistrado destacou que a firmeza institucional tem pacificado o ambiente e garantido a presença do voluntariado. Em pleitos anteriores, o cartório aplicou multas em torno de dois salários mínimos a mesários faltosos, combatendo o absenteísmo e reforçando o compromisso cívico.
A eleição não pode ter conflito, a eleição é um ato democrático. Cada um tem seu pensamento, sua ideologia, e não pode querer impor à força para o outro", destacou Eduardo Camillo.
Classificação Indicativa: Livre
Imperdível
Super desconto
som poderoso
Top dos Tops
Qualidade JBL