Justiça
A Polícia Federal corre contra o tempo para evitar a interrupção de um sistema de monitoramento por satélite usado em ações de segurança pública, investigação e combate a crimes ambientais em todo o país. A corporação pediu ao Ministério da Justiça e Segurança Pública a liberação de R$ 30 milhões ainda em 2026, além da garantia de outros R$ 53,2 milhões para o próximo ano.
As informações são do R7, que teve acesso aos documentos relacionados ao pedido. O contrato que mantém a estrutura tecnológica do Brasil MAIS (Meio Ambiente Integrado e Seguro) termina nesta quarta-feira (23).
O pedido foi encaminhado pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, à Secretaria-Executiva do Ministério da Justiça. A corporação também solicitou que a pasta atue junto aos fundos e órgãos responsáveis pela liberação dos recursos para evitar que os trâmites orçamentários ultrapassem o prazo de encerramento do contrato.

Segundo o R7, a PF alerta nos documentos que a falta de dinheiro pode levar à paralisação integral das ferramentas de geoprocessamento, sensoriamento remoto e monitoramento territorial utilizadas pelo programa.
A corporação sustenta que uma eventual interrupção afetaria atividades de prevenção, fiscalização, investigação e repressão a crimes em diferentes regiões do país, com impacto especialmente nas ações contra crimes ambientais e organizações criminosas.
De acordo com os documentos obtidos pelo R7, havia uma previsão de disponibilidade orçamentária de R$ 52,3 milhões para o programa em 2026. Até agora, porém, a Polícia Federal recebeu R$ 35,6 milhões.
Com isso, ainda faltariam R$ 15,3 milhões para completar os recursos referentes à primeira vigência do contrato, que termina em 23 de setembro.
A PF também trabalha com uma prorrogação de 12 meses, de 24 de setembro de 2026 a 23 de setembro de 2027. O novo período está estimado em R$ 72,8 milhões.
Desse montante, R$ 19,6 milhões seriam necessários ainda neste ano, enquanto os outros R$ 53,2 milhões precisariam estar assegurados no orçamento de 2027.
Procurado pelo R7, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que as providências orçamentárias para disponibilizar os recursos estão em andamento.
A pasta também afirmou que trabalha para garantir a continuidade das atividades e a manutenção das capacidades tecnológicas utilizadas nas políticas públicas sob responsabilidade do ministério.
O Brasil MAIS utiliza imagens de satélite e ferramentas de geoprocessamento para acompanhar alterações no território brasileiro. O sistema é empregado por profissionais de segurança pública em atividades de policiamento, investigação e inteligência, além de ações de fiscalização e combate a crimes ambientais.
Segundo a descrição do programa citada pelo R7, a plataforma realiza o imageamento diário de todo o território nacional por meio de uma constelação de 180 satélites.
As imagens podem ficar disponíveis em até 24 horas depois da coleta. A tecnologia também permite produzir mosaicos mensais e emitir alertas para áreas previamente determinadas.
Os dados podem ainda ser cruzados com informações de outras bases, entre elas o Cadastro Ambiental Rural, Unidades de Conservação e Terras Indígenas.
A ferramenta está disponível para órgãos integrantes do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) em diferentes unidades da Federação.
Para a Polícia Federal, a continuidade do programa também permite manter uma estrutura integrada para o compartilhamento de tecnologias, metodologias e dados entre instituições federais, estaduais, distritais e municipais.
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