Justiça
Única sobrevivente do crime de execução que vitimou a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes em 14 de março de 2018, Fernanda Chaves foi a primeira a depor no júri dos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz. Em seu depoimento, Fernanda destacou os últimos momentos de vida de Marielle e Anderson, e como sua vida mudou completamente após o crime.
"O impacto sobre a minha filha foi o mais preocupante para a gente. A minha filha, no dia que saímos do Rio de Janeiro, a gente teve que sair em um carro escoltado, abaixados, eu estava de boné. Parecia que eu estava fugindo. Ela se sentiu em fuga", discorreu.
Fernanda solicitou que os réus não estivessem presentes durante o seu depoimento, decisão que foi acatada pela juíza Lúcia Glioche.
Quando estava saindo do país para garantir sua integridade física, Fernanda ainda teve de explicar à filha pequena o que era assassinato.
"‘Mamãe, o que é assassinato?’ Ela desconhecia o que era isso. Em um primeiro momento evitamos falar o que tinha acontecido. Ela achava que era um acidente de carro", declarou.
Momentos antes do crime
Fernanda contou que momentos antes do assassinato ela e Marielle mexiam no celular, sentadas no banco de trás do carro, quando de repente veio a rajada de tiros. Num reflexo, ela se abaixou ficando atrás do banco de Anderson, que ferido exclamou de dor e logo desfaleceu. O carro continuou em movimento, enquanto Marielle ao ser atingida, caiu instantaneamente em cima de Fernanda.
"Eu acreditava que tinha acabado passar por um tiroteio e o carro tinha passado pelo meio do tiroteio. Então, eu achava que tinha passado por isso. Na minha cabeça, eu tinha que sair do carro e pedir ajuda, mas saí com muito medo. Abri a porta e desci engatinhando com muito cuidado, achando que poderia ter acontecido uma ocorrência atrás. Eu estava ensanguentada, muito suja de sangue. E comecei a gritar por socorro, pedir ajuda, por uma ambulância", contou.
"Eu olhei para dentro do corpo e esperava que a Marielle estava desmaiada. Eu não queria acreditar que ela estivesse morta. Eu tremia demais, estava em um estado pré-choque. Eu tentava me manter, de alguma forma, consciente. Essa mulher chamou a ambulância. Eu queria falar com meu marido, mas eu não lembrava de número, de nada", completa, lembrando dos momentos de confusão mental após o trauma.
Exílio
Fernanda saiu do Brasil imediatamente, como forma de se proteger de retaliações. Mesmo após um certo tempo, ela conta que ainda não voltou tudo ao normal.
"Embora sejam sete anos desse atentado, não há normalidade. Eu tive que sair do país. Fui orientada a sair imediatamente da minha casa. Eu saí de casa dois dias e meio depois com meu marido e a minha filha, após aguardar o tramite da Anistia Internacional, que ofereceu um acolhimento", destacou.
"Eu fazia parte da coordenação política dela, mas antes disso tínhamos quase 15 anos de amizade. Eu não pude ir ao velório, ao enterro, à missa de sétimo dia. As pessoas acham glamuroso estar fora do país, mas eu queria estar lá. Eu zelava muito pela imagem dela, e em menos de duas horas tinha fake news em relação a ela".
Fernanda também declarou que Marielle nunca mencionou que se sentia ameaçada ou que corria risco de vida.
"Ela nunca teve conversa comigo nesse sentido", disse a jornalista.
O júri do Caso Marielle tem previsão de terminar apenas na quinta-feira (31). Os réus podem pegar até 84 anos de prisão. Serão 21 jurados, sendo 7 sorteados na hora para decidir se Ronnie Lessa e Élcio Queiroz são culpados ou inocentes.
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