Justiça
por Leonardo Oliveira
Publicado em 09/09/2025, às 12h32 - Atualizado às 12h55
O ex-chefe de segurança do WhatsApp, Attaullah Baig, processou a Meta nesta segunda-feira (8). Segundo o The New York Times, ele alega que a empresa ignorou falhas de segurança e privacidade que colocaram em risco bilhões de usuários.
A ação foi apresentada a um tribunal distrital dos Estados Unidos e é mais um caso de denúncias de ex-funcionários contra a gigante de tecnologia. Baig afirma que milhares de funcionários tinham acesso a dados sensíveis, como fotos de perfil, localização, participação em grupos e listas de contatos.
Segundo ele, a Meta não respondeu adequadamente à invasão diária de mais de 100 mil contas. Ele também diz que suas propostas para corrigir vulnerabilidades foram rejeitadas e que as denúncias constantes resultaram em sua demissão, em fevereiro, como forma de retaliação.
“Existem inúmeros danos que os usuários enfrentam”, disse Baig. Ele acrescentou que notificou a FTC e a SEC sobre suas preocupações. “Trata-se de responsabilizar a Meta e colocar os interesses dos usuários em primeiro lugar.”
A Meta contestou as alegações. Segundo Carl Woog, porta-voz do WhatsApp:
“Infelizmente, esse é um roteiro conhecido: um ex-funcionário é demitido por baixo desempenho e depois faz alegações distorcidas que não representam o trabalho contínuo da nossa equipe.”
Histórico de denúncias
A Meta enfrenta denúncias há anos. Em 2019, o caso Cambridge Analytica resultou em multa de US$ 5 bilhões e reforço nas políticas de proteção de dados.
A organização Whistleblower Aid revelou que seis funcionários, atuais e antigos, informaram ao Congresso e a reguladores que a empresa colocava crianças em risco em produtos de realidade virtual, manipulando pesquisas internas sobre assédio sexual e violência.
Baig ingressou no WhatsApp em janeiro de 2021 e conduziu exercícios de ataques para identificar vulnerabilidades. No processo, ele afirma que cerca de 1.500 funcionários tinham acesso irrestrito a dados sensíveis, violando acordo de privacidade firmado com a FTC em 2020. Por mais de um ano, ele teria alertado seus superiores, mas foi instruído a “focar em tarefas de segurança menos críticas”.
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