Justiça

Ex-funcionário de mercadinho em Salvador vai receber indenização por demissão após questionar racismo recreativo

Fabrício Ferrarez/Secom TRT-5
Decisão sobre indenização para ex-funcionário foi tomada por juiz substituto do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia  |   Bnews - Divulgação Fabrício Ferrarez/Secom TRT-5
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 05/06/2025, às 10h32 - Atualizado às 10h53



Um mercadinho em Salvador foi condenado por racismo recreativo e terá que pagar R$ 20 mil a um ex-funcionário, que foi desligado da empresa, sem justa causa, após questionar práticas de comentários ofensivos e discriminatórios, como de um caso em que demais colaboradores estavam se referindo a jogadores de uma seleção africana como “King Kongs”. 

Homem negro, o ex-funcionário já vinha sofrendo incômodos e tentou contato com o proprietário do mercadinho para falar sobre racismo no ambiente de trabalho. A vítima relata o impacto emocional sofrido, mas o empregador tentou, segundo ele, justificar e minimizar o racismo. A ligação foi gravada e levou cerca de 15 minutos, o que serviu de prova lícita atendendo às normas legais do Supremo Tribunal Federal (Tema 237). 

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

A medida foi decidida em primeira instância pelo juiz substituto da 6ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA), Danilo Gonçalves Gaspar, que apontou que a retaliação do ex-funcionário em relação aos abusos sofridos, que, por sua vez, resultaram na dispensa. 

“A parte ré perdeu a oportunidade de, a partir da iniciativa da parte autora de questionar as práticas racistas, promover uma mudança cultural no âmbito da empresa, optando por encarar a parte autora como 'sensível demais'. Não cabe a nenhum cidadão minimizar a dor do outro, afinal 'Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é' (Caetano Veloso em Dom de iludir). A obrigação é acolher, mediante escuta ativa, buscando viabilizar um ambiente de trabalho saudável”, afirmou o magistrado, segundo informações da Justiça do Trabalho. 

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no YouTube!

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)