Justiça

Investigações sobre venda de sentenças na Bahia e Mato Grosso se conectam

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Delator na operação baiana era o representante de uma família em disputa de terras no Mato Grosso  |   Bnews - Divulgação Divulgação / PF
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 04/11/2024, às 07h06 - Atualizado às 07h08



Um advogado conecta a Operação Faroeste, investigação sobre venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) com outra operação do mesmo tipo no estado do Mato Grosso. Vanderlei Chilante, que foi delator na operação baiana, era o representante da família de Aníbal Manoel Laurindo em disputa de terras desde, pelo menos, 2003. 

Segundo a Folha de São Paulo, Aníbal é suspeito de ser o mandante do assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto dentro do carro, com dez tiros, em frente ao seu escritório em Cuiabá. Zampieri havia feito delação premiada. 

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A polícia encontrou no celular da vítima mensagens suspeitas de pagamentos de propinas a um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), além de relações com um lobista que negociava decisões com gabinetes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O lobista é alvo de outro inquérito que causou o afastamento de magistrados de Mato Grosso do Sul.

Aníbal foi indiciado a partir de telefonemas e de um depósito a um dos executores do crime. Segundo ele, o pagamento teria sido feito para participar de uma reunião com parlamentares bolsonaristas em Brasília. 

Além disso, ele disputava terras com um cliente de Zampieri na região de Paranatinga (MT) e suspeitava da relação do advogado com o desembargador Sebastião de Moraes Filho, relator de processos no TJ-MT e que mais tarde foi afastado do Tribunal pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).  O estopim do assassinato foi uma decisão contrária do desembargador.  

Chilante não é suspeito nos casos de Mato Grosso, no entanto, na Bahia foi denunciado em 2021 pelo Ministério Público do estado com suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. Segundo a denúncia, teria sido negociado o pagamento de R$ 1 milhão a um juiz baiano para que ele se declarasse suspeito e não decidisse de forma desfavorável em processos envolvendo uma empresa agropecuária.

Vanderlei Chilante não se pronunciou à reportagem da Folha. O advogado de Aníbal disse que o processo está sob sigilo e não quis comentar. 

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