Justiça

Juiz se recusa a soprar bafômetro, mas consegue anular suspensão de CNH; entenda o caso

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Magistrado que conseguiu anular suspensão de CNH exigia ser chamado de "doutor"  |   Bnews - Divulgação Pixabay/@pixabay


O juiz de Direito Antonio Marreiros da Silva Melo Neto, de Niterói (RJ), conseguiu, na Justiça, o cancelamento da penalidade de suspensão de sua carteira de motorista que recebeu do Departamento Estadual de Trânsito do Estado (Detran) após se recusar a realizar o teste do bafômetro. A decisão é do juiz tabelar Antonio Carlos Maisonnette Pereira, do 4º Juizado Especial da Fazenda Pública de Niterói (RJ).

O portal Migalhas dá informações de que o magistrado argumentou que a notificação da penalidade e a própria blitz que originou a autuação continham irregularidades, como a falta de notificação adequada e erros formais no auto de infração.

Inicialmente, o juiz substituto Guilherme Rodrigues de Andrade, negou a tutela de urgência requerida pelo magistrado. A juíza titular Mirella Correia De Miranda, em momento posterior, declarou-se suspeita para analisar o pedido.

A sentença, por fim, proferida pelo juiz tabelar Antonio Carlos Pereira, considerou que houve uma desconexão entre as penalidades notificadas e as efetivamente aplicadas, e considerou que houve falta de uma decisão administrativa clara sobre a suspensão do direito de dirigir.

A sentença, portanto, declarou nula a notificação da penalidade de suspensão de direção e a exigência de participação em curso de reciclagem.

Curiosamente, o juiz que buscou a suspensão da penalidade pelo Detran é o mesmo que, em 2004, buscou a Justiça por desaprovar a forma como era tratado no condomínio onde morava.

Antonio Marreiros Neto entrou com ação no RJ pedindo que os funcionários do prédio onde mora o chamassem de "senhor" ou "doutor".

Ainda de acordo com o Migalhas, o imbróglio começou quando, em uma noite chuvosa, o teto do apartamento do juiz foi danificado. Após pedir auxílio dos funcionários do condomínio, o magistrado afirmou que não foi atendido e que, após este fato, o porteiro do prédio passou a tratá-lo "com intimidade, chamando-o de 'você' e 'Antônio'".

Melo Neto ainda afirmou que, apesar de, por mais de uma vez, ter dito que queria ser tratado como "senhor", o funcionário não concordava e dizia: "não vou te chamar de senhor não, cara!"

Depois de uma sucessão de resultados desfavoráveis, em 2014, o STF, por fim, negou seguimento ao recurso do juiz.

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