Justiça

Juíza "cinquentinha" é investigada por praticar agiotagem no oeste baiano; ela mesmo cobrava dívidas

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Depoimentos indicam que a juíza cobrava dívidas pessoalmente, utilizando policiais para coagir devedores em sua prática ilegal  |   Bnews - Divulgação Foto: Divulgação
Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 16/12/2025, às 16h15



A juíza Marlise Freire Alvarenga, mais conhecida no meio como "Juíza Cinquentinha", praticava agiotagem no oeste baiano, conforme investigações preliminares da Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). A prática de emprestar dinheiro a juros abusivos com cobranças ameaçadoras está sendo investigada no processo administrativo disciplinar aberto contra a magistrada na última sessão plenária, ocorrida na sexta-feira (12). 

O caso é um desdobramento direto da Operação Faroeste e as revelações apontam para um modus operandi de ilegalidades. A juíza teve seu afastamento cautelar do cargo ratificado e, agora, precisa se defender de um rol de infrações graves que foram listadas na sindicância que deu origem ao processo.

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Os documentos que embasaram a abertura do PAD apresentam um cenário de poder e coerção. A ementa do processo cita o "envolvimento em prática de agiotagem" e os resultados devastadores desse esquema. Um dos ‘clientes’ da juíza relatou que sofreu um prejuízo de R$ 10 milhões. O valor teria sido absorvido pela própria juíza, como fruto direto da dívida de agiotagem.

A apuração trouxe à tona depoimentos que sugerem que Marlise Alvarenga não ficava apenas nos bastidores; ela própria teria ido à casa dos devedores para realizar as cobranças, mostrando uma atuação direta e intimidadora.

E o que é ainda mais grave: para dar força e eficácia à cobrança, a juíza teria se utilizado de um núcleo armado composto por Policiais Militares (PMs). Informações de bastidores indicam que a magistrada contava com a articulação de um braço da segurança pública para pressionar e coagir os devedores, e para atuar também no esquema de venda de sentenças.

Filhotismo
O leque de acusações se estende para o âmbito familiar, envolvendo o filho da magistrada, que atua como advogado. A juíza é acusada de favorecimento de filho/advogado em operação imobiliária com suspeita de lavagem de dinheiro. As investigações sugerem que o esquema visava garantir que os imóveis dos devedores de agiotagem acabassem nas mãos da família.


O filho detinha procurações sobre os bens envolvidos na agiotagem, atuando indiretamente na gestão dos ativos. A jogada seria deixar os bancos executarem os devedores, mas a família já possuía "contratos de gaveta" sobre os imóveis. Paralelamente a isso, a juíza é acusada de proferir decisões judiciais mesmo após declarar sua suspeição, direcionando o resultado dos processos e facilitando a apropriação desses bens.

As acusações são de que a juíza praticou tráfico de influência, favorecimento a familiares e violou os princípios mais elementares da imparcialidade, moralidade e legalidade. Com o PAD instaurado, a "Juíza Cinquentinha" poderá ser aposentada compulsoriamente.

Classificação Indicativa: Livre

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