Justiça
A juíza Marlise Freire Alvarenga, mais conhecida no meio como "Juíza Cinquentinha", praticava agiotagem no oeste baiano, conforme investigações preliminares da Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). A prática de emprestar dinheiro a juros abusivos com cobranças ameaçadoras está sendo investigada no processo administrativo disciplinar aberto contra a magistrada na última sessão plenária, ocorrida na sexta-feira (12).
O caso é um desdobramento direto da Operação Faroeste e as revelações apontam para um modus operandi de ilegalidades. A juíza teve seu afastamento cautelar do cargo ratificado e, agora, precisa se defender de um rol de infrações graves que foram listadas na sindicância que deu origem ao processo.
Os documentos que embasaram a abertura do PAD apresentam um cenário de poder e coerção. A ementa do processo cita o "envolvimento em prática de agiotagem" e os resultados devastadores desse esquema. Um dos ‘clientes’ da juíza relatou que sofreu um prejuízo de R$ 10 milhões. O valor teria sido absorvido pela própria juíza, como fruto direto da dívida de agiotagem.
A apuração trouxe à tona depoimentos que sugerem que Marlise Alvarenga não ficava apenas nos bastidores; ela própria teria ido à casa dos devedores para realizar as cobranças, mostrando uma atuação direta e intimidadora.
E o que é ainda mais grave: para dar força e eficácia à cobrança, a juíza teria se utilizado de um núcleo armado composto por Policiais Militares (PMs). Informações de bastidores indicam que a magistrada contava com a articulação de um braço da segurança pública para pressionar e coagir os devedores, e para atuar também no esquema de venda de sentenças.
Filhotismo
O leque de acusações se estende para o âmbito familiar, envolvendo o filho da magistrada, que atua como advogado. A juíza é acusada de favorecimento de filho/advogado em operação imobiliária com suspeita de lavagem de dinheiro. As investigações sugerem que o esquema visava garantir que os imóveis dos devedores de agiotagem acabassem nas mãos da família.
O filho detinha procurações sobre os bens envolvidos na agiotagem, atuando indiretamente na gestão dos ativos. A jogada seria deixar os bancos executarem os devedores, mas a família já possuía "contratos de gaveta" sobre os imóveis. Paralelamente a isso, a juíza é acusada de proferir decisões judiciais mesmo após declarar sua suspeição, direcionando o resultado dos processos e facilitando a apropriação desses bens.
As acusações são de que a juíza praticou tráfico de influência, favorecimento a familiares e violou os princípios mais elementares da imparcialidade, moralidade e legalidade. Com o PAD instaurado, a "Juíza Cinquentinha" poderá ser aposentada compulsoriamente.
Classificação Indicativa: Livre
som poderoso
Som perfeito
Smartwatch top
Qualidade JBL
iPhone barato