Justiça
No mês dedicado às mulheres, a advogada Ana Patrícia Dantas Leão abriu o jogo no podcast JusNews sobre um dos momentos mais difíceis de sua trajetória: um episódio de assédio logo após se formar, em 2002. Com apenas 19 dias em um escritório no Comércio, em Salvador, ela foi surpreendida pelo dono do local com uma caixa de veludo contendo um anel solitário. Segundo Ana, o advogado tentou "comprá-la" afirmando que ela poderia ter casas de praia e fazendas caso aceitasse a investida, uma situação que a chocou profundamente pela sutileza desrespeitosa do agressor.
A reação da então jovem advogada foi imediata e estratégica. Diferente de uma colega que também foi alvo do mesmo homem e acabou tendo a vida profissional destruída após cair em uma cilada processual armada por ele, Ana Patrícia levantou-se e afirmou que "aquele lugar não lhe cabia". Ela protocolou petições comunicando sua saída de todos os processos em que atuava e nunca mais retornou, destacando que a resiliência feminina muitas vezes começa no dizer "não" a quem tenta transformar competência em mercadoria.
Hoje, olhando para trás, Ana Patrícia reflete que o assédio contra mulheres no início da carreira ainda é uma constante amarga em diversas profissões, não apenas no Direito. Ela ressalta a importância de mecanismos de denúncia e do fortalecimento da rede de apoio entre colegas.
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