Justiça
O cenário da violência de gênero na Bahia continua sendo um dos temas mais urgentes da pauta jurídica estadual. Durante o JusNews, a presidente da Associação das Defensoras e Defensores Públicos da Bahia (ADEP-BA), Bethânia Ferreira, trouxe dados impactantes sobre a Casa da Mulher Brasileira, em Salvador, que realizou mais de 5 mil atendimentos em apenas um ano.
A violência doméstica não é só física; ela é psicológica, patrimonial e simbólica", explicou a defensora, ressaltando que muitas mulheres sofrem abusos "silenciosos" dentro de casa por falta de informação sobre seus direitos reais.
Um dos pontos da conversa foi a violência obstétrica, descrita por Bethânia como uma agressão cruel cometida no momento de maior vulnerabilidade feminina. "As pessoas não podem normalizar uma mulher grávida passando mal e sem acesso ao médico. Dizer que 'é assim mesmo, parto normal tem que sentir dor' é uma agressão", afirmou com firmeza. Ela citou casos graves acompanhados pela Defensoria, onde a demora no atendimento resultou em sequelas irreversíveis para bebês e mortes maternas que poderiam ter sido evitadas com um sistema mais humanizado.
A defensora também denunciou o peso do racismo institucional nesses episódios, afirmando que as mulheres negras são as maiores vítimas da negligência médica.
Existe uma ideia generalista e cruel de que mulheres negras seriam 'mais fortes' e aguentariam mais dor na hora do parto. O nome disso é racismo e ele mata", sentenciou. Para ela, o combate à violência precisa ser uma rede de apoio constante:
"Eu quero ganhar flores e bombons, mas o que nós realmente queremos é o reconhecimento de nossa dignidade e a preservação de nossas vidas todos os dias".
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