Justiça
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou públicos 14 procedimentos relacionados às investigações do Banco Master, incluindo apurações sobre a atuação do grupo de Daniel Vorcaro.
No entanto, na mesma decisão tomada nesta quinta-feira (10), ele mas manteve sob segredo de justiça algumas das principais frentes da Polícia Federal (PF), entre elas a que investiga o repasse de recursos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão foi tomada após determinação do presidente do STF, Edson Fachin, para o levantamento do sigilo das investigações relacionadas ao caso. Entre os documentos liberados estão processos que tratam da troca de mensagens entre Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes.
Entre os procedimentos tornados públicos está o inquérito 5026, considerado o principal inquérito da Operação Compliance Zero. A investigação detalha a engenharia financeira que levou ao rombo bilionário no Banco Master.
O processo foi criado quando o caso ainda estava sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Na ocasião, Toffoli determinou a remessa ao Supremo do inquérito que tramitava na Justiça Federal contra Daniel Vorcaro e outros suspeitos.
A partir do inquérito 5026, outras investigações foram desmembradas. Cinco delas, que tiveram o sigilo levantado por Mendonça, tratam direta ou indiretamente das operações de prisão e busca e apreensão contra integrantes do grupo chamado “A Turma”.
Segundo as investigações, “A Turma” era utilizada por Vorcaro para intimidação e perseguição de adversários e desafetos.
Outra investigação que se tornou pública é a que trata do chamado “Projeto DV”, voltado à cooptação de influenciadores para influenciar a percepção pública sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Mendonça também liberou documentos de outras petições relacionadas a pontos específicos das apurações. Entre elas está o pedido de quebra de sigilo telefônico de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e outros suspeitos.
A investigação sobre a corrupção de servidores e diretores do Banco de Brasília (BRB) também teve o sigilo levantado.
Apesar da liberação de 14 procedimentos, algumas petições consideradas relevantes permaneceram sob segredo de justiça.
É o caso da investigação sobre o repasse de recursos feito por Daniel Vorcaro para um fundo de investimento nos Estados Unidos. A apuração busca esclarecer o uso desses recursos para financiar a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Também não teve o sigilo levantado a petição que investiga a relação entre o senador Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.
Mendonça ainda manteve em segredo a investigação revelada pela Polícia Federal em um relatório de inteligência enviado ao ministro Alexandre de Moraes, envolvendo Antônio Rueda e ACM Neto.
Já a operação realizada nesta quinta-feira contra o deputado Mario Frias integra outra investigação, relacionada ao desvio de emendas parlamentares e sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Os documentos sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro aparecem na lista de processos que se tornaram públicos após a determinação de Mendonça. Esses documentos, porém, já haviam sido liberados na semana passada por decisão do próprio ministro André Mendonça.
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