Justiça
por Claudia Cardozo
Publicado em 04/02/2026, às 13h06 - Atualizado às 14h28
O ano judiciário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) começa com uma bomba e mais uma crise a ser gerenciada. Dessa vez, o envolvido é o ministro Marco Aurélio Buzzi, acusado de abusar sexualmente de uma jovem de 19 anos, filha de uma renomada advogada de Brasília. A denúncia foi feita inicialmente pela coluna Radar, da Veja, nesta quarta-feira (4).
A movimentação nos bastidores da Corte da Cidadania é grande e o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin já foi instado por colegas de toga para que adote medidas imediatas para o afastamento de Buzzi. Entre eles, estão três ministras que combatem os crimes contra as mulheres.
Segundo a denúncia, a vítima não era uma desconhecida do ministro, tão pouco era alguém irrelevante em seu meio. A jovem que cresceu no convívio familiar próximo ao magistrado, a quem se dirigia carinhosamente como "tio". O caso já chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde a mãe da jovem depôs no final da manhã desta quarta, no gabinete do corregedor nacional, ministro Mauro Campbell. Cabe ao CNJ agora decidir se abrirá algum procedimento contra o ministro que poderá levar a sua aposentadoria compulsória.
Informações de bastidores indicam que o ministro Marco Aurélio Buzzi teria se aproveitado da relação de confiança com a família para cometer o abuso. "Abusou de quem confiava nele. Não pegou uma estranha na rua, o que já seria um crime, mas violou alguém que o via como família", resume uma fonte ao BNews. De acordo com a coluna Radar, o crime teria acontecido em uma praia de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, estado de origem do ministro. Foi em um banho de mar que o ministro tentou agarrar a jovem, mesmo ela demonstrando resistência.
A ironia da toga
O escândalo se torna ainda mais indigesto quando confrontado com a atuação pública de Buzzi. Em maio de 2024, o ministro foi o relator de uma ação emblemática na Quarta Turma do STJ, onde votou para condenar um veículo de comunicação que havia difamado uma vítima de estupro de vulnerável. Na ocasião, o magistrado reforçou a necessidade de proteger a dignidade da mulher e punir o desrespeito a vítimas de violência sexual. Buzzi é ministro do STJ desde setembro de 2011. Antes de chegar ao STJ, foi desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Antes de ingressar na magistratura, Buzzi atuou como jornalista.
Em nota enviada ao Bnews, o ministro Marco Buzzi informou que foi "surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos. Repudia, nesse sentido, toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio".
“Aguardamos rigor nas apurações e o respectivo desfecho perante os órgãos competentes”, diz a nota assinada pelo advogado da vítima, Daniel Leon Bialski.
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