Justiça

Pedro Maia e ministro Carlos Brandão cobram união nacional contra facções e justiça focada na paz

Foto: Divulgação
Carlos Brandão enfatiza que a paz e as garantias legais devem coexistir para proteger os direitos dos cidadãos  |   Bnews - Divulgação Foto: Divulgação
Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 23/09/2026, às 11h40



O procurador-geral de Justiça da Bahia e presidente do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG), Pedro Maia, e o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Carlos Brandão, defenderam nesta segunda-feira (21), em Brasília, uma ofensiva integrada entre os Ministérios Públicos de todo o país para combater o avanço do criminalidade  e garantir a pacificação social. Os temas foram discutidos durante a abertura da 3ª Reunião Executiva dos Grupos Nacionais do CNPG, sediada no Ministério Público Militar, com foco exclusivo na área de segurança pública.

Em sua fala de abertura, o procurador Pedro Maia ressaltou que a violência urbana é a maior preocupação da população brasileira e que a resposta estatal não pode ser fragmentada. Segundo o chefe do MP baiano, o crime organizado adquiriu caráter estruturado e transnacional, o que obriga as instituições a investirem em cooperação técnica permanente, inteligência e tecnologia.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

"Quando se fala de segurança pública, especialmente neste momento que antecede as eleições, estamos falando do tema número um para toda a população, em todos os rincões do país", alertou Pedro Maia. Para o presidente do conselho, o enfrentamento às facções exige uma postura prática dos órgãos ministeriais: "É preciso orçamento, unidade, estudo e cooperação".

STJ e a uniformização de decisões criminais

Responsável pela palestra magna do evento, o ministro Carlos Brandão concentrou sua exposição no papel do STJ como definidor de diretrizes jurídicas para as forças de segurança e para o Ministério Público. O magistrado destacou que a segurança pública deve funcionar como um sistema voltado à paz, desfazendo a ideia de que o respeito às garantias legais do investigado enfraquece o combate ao crime.

"A paz não é antônimo de garantismo; ambos integram um mesmo sistema de proteção, cuja finalidade é assegurar a cada pessoa o direito de viver sem violência e sem coerção arbitrária, venha ela do agressor ou do próprio Estado", afirmou Brandão.

O ministro alertou ainda para o risco da dispersão de entendimentos nos tribunais. Segundo ele, quando teses sobre temas do dia a dia policial, como abordagens, reconhecimento pessoal, provas digitais e cadeia de custódia, ficam sem padrão, quem perde é a sociedade. 

"Uma jurisprudência dividida, em matéria penal, significa que a liberdade de uma pessoa pode depender da unidade da Federação em que foi processada ou da turma a que seu recurso foi distribuído. Isso não é apenas insegurança jurídica; é desigualdade perante a lei penal", destacou o ministro.

Diálogo comunitário 

Ao analisar a capilaridade dos promotores de Justiça nas comarcas do interior, Brandão classificou as equipes técnicas do CNPG como um termômetro direto da realidade penal do país. No entanto, o ministro frisou que a atuação penal só ganha legitimidade e resultado prático duradouro quando dialoga de perto com Defensoria Pública, advocacia, universidades, lideranças locais e, principalmente, com as vítimas da violência.

O encontro reuniu procuradores-gerais de Justiça, chefes de grupos especializados e lideranças do Ministério Público de todos os estados, consolidando o alinhamento de estratégias conjuntas contra facções e homicídios para os próximos meses.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)