Justiça
Publicado em 09/02/2026, às 15h50 Thiago Dória
Às vezes fantasiosa, às vezes distópica, a forma com que as pessoas imaginam o futuro normalmente têm um ponto em comum: são visões superlativas do presente. Quando George Orwell imaginou a vigilância do Grande Irmão em 1984, pensou em grandes painéis parecendo televisões, e não no monitoramento de dados que entregamos de bom grado a todo momento na internet.
Do mesmo modo, quando Robert Zemeckis imaginou os jovens do futuro no longínquo ano de 2015 (isso mesmo!), colocou pessoas andando em skates voadores, e não com as caras enfiadas em dispositivos móveis onde absolutamente tudo acontece.
Falando de coisa séria, estamos às voltas com ferramentas de software que, de uma hora para a outra, passaram a ser chamadas de Inteligência Artificial. As maravilhas e os terrores que a tecnologia é capaz de criar não são novos para a humanidade, mas basta a gente arrumar um nome bonito para tudo isso entrar num hype em que a gente não consegue definir o que é oportunidade, o que é risco, e o que é só espuma e consumo.
Do outro lado, as não tão antigas previsões para o nosso futuro climático parecem cada dia mais presentes, e a sensação de incompetência (até aqui) e de impotência (daqui pra frente) também nos deixa muito confusos.
Empresas maiores normalmente se preparam no longo prazo. Conselhos de Administração servem justamente para isso, e há notícias de organizações que mantém comitês projetando seus futuros para daqui a cinquenta anos ou mais. Mas empresas pequenas também podem dedicar um pouco de tempo e energia para entender possíveis cenários futuros, e assim certamente ampliará sua visão estratégica, ganhará resiliência e terá maior capacidade para reagir, seja ao que for.
Mas o intuito desta coluna não é falar do futuro, muito menos do futuro distante. Ao contrário, quero chamar a atenção para como os nossos gestores, conselheiros e empresários às vezes dão muita atenção a assuntos mirabolantes e deixam de priorizar temas urgentes.
Primeira pergunta: sua empresa já implantou todas as medidas necessárias ao cumprimento da NR-01 e o monitoramento de riscos psicossociais? Segunda pergunta: sua empresa já está pronta para a transição da reforma tributária, já sabe os impactos do IBS e CBS na sua cadeia produtiva, e já planejou o regime de tributação que melhor atende aos seus interesses?
Eu não sou capaz de prever o futuro, mas sei que a NR-01 entra em vigor daqui a três meses, e que a transição da reforma tributária já começou, e vai pipocar daqui a onze meses. Pensar nisso não é tratar de futuro, mas tratar do agora, do amanhã real – e não em sentido figurado. Sua empresa já está pronta?
Thiago Dória
Advogado, Conselheiro de Administração (CCA-IBGC) e Mestre em Direito, Governança e Políticas Públicas
Classificação Indicativa: Livre
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