Justiça
Publicado em 18/05/2026, às 17h45 Thiago Dória
Sempre que participo de debates sobre ESG faço questão de destacar o quanto essa sigla pode atrapalhar o amadurecimento da gestão em empresas pequenas. Nas grandes organizações, faz muito sentido juntar temas de governança corporativa, responsabilidade social e sustentabilidade sob o guarda-chuva de um setor ou divisão, pois há recursos disponíveis para que uma parte da equipe se concentre em iniciativas desse mote, convergentes entre si. Na empresa pequena, pessoas e recursos estão normalmente focados na sobrevivência e expansão do negócio, e o tal do ESG para longínquo e distante.
Isso acontece não só porque essa sigla é predominantemente usada por empresas gigantescas em suas iniciativas de grande impacto e repercussão, mas também porque ela é repetida à exaustão por profissionais que adoram se valorizar gourmetizando assuntos simples. Resultado: empresas pequenas acabam não avançando no tema, achando que é coisa de empresa rica. Mas não é... A adoção de uma boa governança e de práticas empresariais responsáveis pode ajudar muito as pequenas empresas, basta focar no básico, naquilo que a mão alcança.
Existe alguma dificuldade em cuidar para que a contabilidade registre corretamente a movimentação financeira da empresa, ou em manter contratos sociais organizados e atualizados? Isso é governança básica, boa e barata, mas tem empresa que ainda não faz. É tão complicado separar o lixo reciclável na empresa, ou separar um cantinho para o descarte de baterias antigas e dar a elas o destino adequado? Isso é responsabilidade ambiental básica, boa e barata, mas tem empresa que ainda não faz. Custa caro contratar pessoas levando em conta critérios de diversidade, ou fazer uma campanha interna de doações para entidades assistenciais? Isso é responsabilidade social básica, boa e barata, mas tem empresa que ainda não faz.
Recentemente a Associação Comercial da Bahia anunciou que fará uma parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas para emitir uma certificação ESG voltada especialmente para micro, pequenos e médios empresários, baseada em critérios simples e objetivos. Mais do que reconhecer empresas que já vem implantando práticas responsáveis, o Selo ESG ACB/ABNT promete ajudar os gestores a entenderem por onde podem começar.
Mas afinal, por que uma empresa pequena deve gastar tempo e dinheiro em governança, responsabilidade e sustentabilidade, num cenário tão competitivo e difícil? Justamente porque essas práticas geram valor e resultados de longo prazo, e protegem as organizações das turbulências e crises nesse cenário competitivo e difícil. Nas colunas das próximas semanas, daremos exemplos práticos para demonstrar vantagens reais de empresas que adotaram iniciativas ESG – e desvantagens reais de empresas que não adotaram.
Thiago Dória
Advogado, Conselheiro de Administração (CCA-IBGC) e Mestre em Direito, Governança e Políticas Públicas
Classificação Indicativa: Livre
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