Justiça
O sentimento de saudade dividiu espaço com a indignação e o clamor por respostas em Santo Amaro, no Recôncavo baiano. Se estivesse vivo, o vereador Gleiber Júnior (Avante) completaria 38 anos nesta quinta-feira (16). A data, que deveria ser de celebração, foi marcada por uma missa emocionante que reuniu familiares e amigos para homenagear o parlamentar e seu assessor, Diego Castro Reis. Ambos foram executados a tiros no dia 9 de novembro de 2025, em um sítio da família, na zona rural do município.
Passados mais de oito meses do duplo homicídio, o luto da família convive diariamente com a frustração diante da demora na conclusão das investigações. Para os parentes, o crime continua sem um desfecho claro. Sob anonimato, familiares desabafaram sobre o clima de impunidade que ecoa na região.
A cidade toda sabe quem matou Gleiber", desabafou um parente, cobrando uma postura mais enérgica das forças de segurança para que os verdadeiros mandantes e executores sejam oficialmente responsabilizados.
O caso, que chocou a política local, chegou a ter desdobramentos importantes nos meses seguintes às execuções. Em dezembro de 2025, uma operação policial resultou na prisão do primeiro suspeito que era assessor do próprio vereador. Na ação, também foram apreendidas munições de uso restrito. Já em fevereiro deste ano, um segundo envolvido foi detido em outra ofensiva da polícia.
No entanto, o que parecia ser o início de uma resposta rápida acabou se tornando motivo de mais angústia para a família. De acordo com os parentes, ambos os suspeitos já foram colocados em liberdade, e o processo investigativo segue arrastado, sem que se saiba ao certo quem orquestrou o crime.
Durante a celebração desta quinta-feira, a cobrança por uma resposta definitiva ganhou ainda mais força. A família pontua que, além de prender quem puxou o gatilho, é fundamental que a motivação por trás do duplo homicídio seja totalmente esclarecida. O assassinato brutal interrompeu o primeiro mandato de Gleiber Júnior, deixando uma filha pequena e uma comunidade inteira refém do medo e à espera de justiça.
Procurada pela reportagem do BNews, a Polícia Civil da Bahia (PCBA), explicou a dinâmica dos prazos e assegurando que o caso não está parado.
A Polícia Civil da Bahia esclarece que não há prazo legal para a conclusão de uma investigação criminal. O que a legislação estabelece é prazo para a conclusão do inquérito policial, o qual pode ser prorrogado mediante autorização judicial, sempre que houver necessidade da continuidade das diligências."
A nota da assessoria também reforçou que os agentes continuam em campo e que o sigilo é a principal arma para evitar que os criminosos atrapalhem os trabalhos.
No caso em questão, a investigação permanece em andamento. A motivação dos fatos segue sendo apurada por meio da realização de oitivas e outras diligências investigativas. Os resultados dessas medidas estão sob sigilo, com o objetivo de preservar a eficácia da apuração e não comprometer o andamento das investigações."
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