Justiça
por Leonardo Oliveira
Publicado em 06/02/2026, às 14h37
Condenada por mandar assassinar os próprios pais, Suzane Von Richthofen está novamente envolvida em uma disputa familiar, com a Justiça de São Paulo nomeando-a como inventariante do espólio do tio, Miguel Abdalla Neto. Falecido em 9 de janeiro de 2026, na casa onde morava, no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo, ele é dono de um herança com patrimônio de R$ 5 milhões.
Apesar de ter sido excluída da herança dos pais por indignidade, Suzane foi nomeada como inventariante, por conta das regras de sucessão para parentes no Brasil. Segundo o jornalista Ulisses Campbell, autor de “Tremembé”, em coluna publicada no O Globo, a decisão foi proferida pela 1ª Vara da Família e Sucessões do Foro Regional II de Santo Amaro, em despacho assinado pela juíza Vanessa Vaitekunas Zapater.
No entendimento da Justiça, apenas Suzane se habilitou formalmente no processo como herdeira, ou seja, foi a única a cumprir todas as exigências legais para participar do inventário.
De acordo com a coluna, a prima e ex-companheira de Miguel, Silvia, também tentou pegar esse posto, porém, a magistrada considerou que ela não tinha preferência na sucessão. De acordo com a legislação brasileira, os sobrinhos são parentes colaterais de terceiro grau e têm prioridade sobre primos, que são parentes de quarto grau. Na prática, Suzane estava à frente pela lei que define uma ordem na linha da herança.
Limites
Apesar da nomeação, a Justiça determina limites à atuação de Suzane. A decisão autoriza apenas atos de conservação e manutenção dos bens, como o pagamento de despesas básicas e a preservação do patrimônio. Estão proibidas ações como venda, transferência ou uso pessoal dos bens e valores sem autorização judicial.
Além disso, o inventário foi suspenso até o julgamento definitivo da ação que discute o possível reconhecimento de união estável entre Silvia e Miguel. Caso haja confirmação da relação, o cenário da sucessão pode ser modificado, já que a companheira passaria a ter direitos equiparados aos de um cônjuge.
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Caso de polícia
A disputa também chegou à polícia, pois Silvia registrou um boletim de ocorrência afirmando que Suzane teria retirado da residência de Miguel, sem autorização, uma lavadora de roupas, um sofá, uma cadeira e uma bolsa com documentos e dinheiro, de acordo com Ulisses.
Em nota ao jornal O Globo, as advogadas de Silvia disseram que foram pegas de surpresa com a decisão antes mesmo de terminar o prazo para apresentar documentos que comprovariam a união estável entre Silvia e Miguel, que ia até 10 de fevereiro. A defesa informou que vai recorrer e reforçou que a nomeação não valida atitudes tomadas sem autorização da Justiça, como a retirada de bens.
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