Justiça

“Tentativa de interferência estrangeira": Relato de Fachin aborda suposição de Moraes sobre agentes externos interessados na eleição brasileira

Foto: Divulgação/ STF
Moraes denuncia que relatório policial pode ter sido influenciado por agentes externos, levantando preocupações sobre a integridade das eleições  |   Bnews - Divulgação Foto: Divulgação/ STF
Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 15/09/2026, às 11h34



A abertura da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) comandada pelo ministro Edson Fachin, nesta terça-feira (15) entrou para a história não apenas pela gravidade das investigações em pauta, mas pelo forte apelo institucional adotado pelo presidente da Corte. Em meio a uma crise sem precedentes, Fachin deu uma verdadeira aula de história, lembrou os horrores da ditadura e cobrou de seus pares equilíbrio absoluto diante dos embates que colocam sob escrutínio os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Ao iniciar os trabalhos que analisam o procedimento investigativo (PET 16662), Fachin fez questão de lembrar que a divergência faz parte da essência de um tribunal, mas que a perda da medida institucional é inadmissível. "A divergência faz parte da jurisdição, o que não pode fazer parte dela é a perda da medida institucional. A divergência é legítima, o confronto pessoal não. E a decisão pertence ao plenário, não a um ministro individualmente", pontuou o ministro, frisando que o rito processual e o respeito às regras devem guiar a atuação dos ministros.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

O alerta sobre "agentes externos"

Se o discurso de Fachin buscou pacificar e resguardar a liturgia do tribunal, a manifestação apresentada pelo ministro Alexandre de Moraes na PET 16704, destrinchada na sequência do relatório, elevou a pressão da sessão ao trazer denúncias sobre a condução das apurações.

No relatório, Fachin apresentou declarações de Moraes rechaçando veementemente o relatório da Polícia Federal que o atinge, classificando-o como uma tentativa de responsabilização objetiva baseada em recortes artificiais, anotações de celular e suposições sem respaldo técnico. Na avaliação de sua defesa, o documento sofre de graves vícios de origem e representa uma farsa construída para simular vazamentos inexistentes.

O ponto mais sensível da manifestação de Moraes decorre da acusação de que o relatório policial pode ter contado com a participação de atores de fora das estruturas oficiais do Estado brasileiro. O ministro apontou indícios de que o material foi processado por "agentes externos, provavelmente estrangeiros", o que, em seu entendimento, escancara uma gravíssima tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras.

Para o magistrado, a investida contra ele reflete um cenário de perseguição política contínua. "A tentativa de golpe não se encerrou em 8 de janeiro de 2023, simplesmente mudou seu modus operandi", assinalou a defesa, requerendo a nulidade integral das informações produzidas pela Polícia Judiciária e a extinção da PET 16662, endossando os argumentos da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que a investigação conduzida de ofício pelo relator original padece de nulidade insanável por usurpação de competência do plenário.

A sessão segue em andamento, com o tribunal dividido entre a necessidade de responder estritamente aos ditames jurídicos e o peso político de debater acusações que estremecem a cúpula do Poder Judiciário.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)