Justiça
por Claudia Cardozo
Publicado em 21/08/2025, às 08h00 - Atualizado às 08h02
O Pleno do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) aprovou a criação de duas novas varas especializadas para lidar com questões de meio ambiente, conflitos de terra e direitos de povos originários e comunidades quilombolas. As novas unidades são vistas como um passo importante para dar mais agilidade e especialização a processos judiciais complexos.
A medida estabelece a 1ª Vara Regional de Meio Ambiente, Conflitos Fundiários e Proteção de Direitos dos Povos Originários e das Comunidades Quilombolas, sediada em Salvador, e a 2ª Vara Regional com a mesma competência, em Porto Seguro. A especialização dessas varas visa a atender as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), especialmente as Metas 6 e 7, que buscam impulsionar o julgamento de processos relacionados a temas ambientais e a direitos de comunidades tradicionais.
Segundo o TJ-BA, a Região Metropolitana de Salvador concentra cerca de 42% do total de processos ambientais do estado, o que justifica a criação de uma vara dedicada para a área. A principal mudança é a concentração de processos em unidades judiciárias que terão conhecimento aprofundado sobre esses temas.
As novas varas, que terão jurisdição ampliada para outras comarcas, serão responsáveis por julgar ações cíveis, criminais e administrativas relacionadas a danos e infrações ambientais, conflitos de natureza fundiária, e questões que envolvem direitos territoriais, culturais e ambientais de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais.
A resolução também detalha que processos de menor complexidade, como crimes ambientais com penas mais leves, não serão direcionados a essas novas varas, a menos que tenham um impacto ambiental significativo ou repercussão social relevante.
A criação das varas regionais é uma resposta direta à necessidade de um olhar mais especializado para os desafios enfrentados pelo estado. A Bahia, com sua vasta biodiversidade e a presença de diversas comunidades tradicionais, lida com uma grande quantidade de conflitos que exigem um tratamento jurídico particular. Com a nova estrutura, espera-se que o julgamento desses processos seja mais rápido e eficaz.
A resolução também prevê a possibilidade de celebração de convênios com órgãos ambientais, instituições de ensino e pesquisa, o que pode trazer o suporte técnico-científico necessário para auxiliar o trabalho dos juízes. A norma entrará em vigor 90 dias após sua publicação. A partir daí, a Corregedoria-Geral da Justiça e a Corregedoria das Comarcas do Interior disciplinarão os critérios para a redistribuição dos processos que já estão em andamento.
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