Justiça
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 01/09/2026, às 15h00
Uma série de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), indica que o banqueiro pediu reiteradamente ao magistrado que atuasse junto à cúpula da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para conter as investigações envolvendo a instituição financeira.
As mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro e obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo o conteúdo analisado, os pedidos começaram em outubro de 2025 e continuaram até poucas horas antes da prisão do banqueiro, em novembro daquele ano.
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Em 30 de outubro, Vorcaro pediu a Moraes que reforçasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma orientação para evitar que integrantes das duas instituições adotassem medidas contra o Banco Master.
Importante reforçar com Andrei e Paulo que ninguém de baixo faça uma sacanagem com o Master”, escreveu o banqueiro, segundo as mensagens obtidas pelo Estadão.
Naquele período, o Banco Master estava prestes a anunciar uma suposta venda para um consórcio formado pela Fictor Holding Financeira e investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Os pedidos para que Moraes procurasse integrantes da PF e da PGR teriam se repetido nas semanas seguintes. Em 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, Vorcaro questionou o ministro sobre a possibilidade de interromper o avanço das investigações contra o Banco Master.
Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”, escreveu o banqueiro, de acordo com o material obtido pelo Estadão.
O Banco Master era investigado sob suspeitas de irregularidades envolvendo a emissão de títulos de crédito sem lastro, manipulação de ativos e outras operações financeiras. As apurações estimavam uma possível fraude de aproximadamente R$ 12 bilhões.
Pouco antes de ser preso, Vorcaro voltou a perguntar a Moraes sobre a atuação de Andrei Rodrigues.
E com Andrei dá pra segurar?”, questionou o banqueiro, segundo as mensagens.
Em outra conversa, Vorcaro afirmou que não faria “nenhum movimento” sem a aprovação do ministro e também pediu a opinião de Moraes sobre medidas jurídicas adotadas por seus advogados.
O Estadão procurou Alexandre de Moraes, Andrei Rodrigues, Paulo Gonet e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar o conteúdo das mensagens e as informações reveladas pela reportagem.
Até a publicação, não houve manifestação. O espaço permanece aberto para os envolvidos.
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