Cultura
O escritor soteropolitano Abáz conquistou o 68º Prêmio Jabuti, uma das principais premiações literárias do país, na categoria Conto, com o livro "Massaranduba", obra inspirada no cotidiano de um tradicional bairro popular de Salvador. O resultado foi anunciado na noite de terça-feira (27), durante cerimônia realizada na Sala São Paulo, na capital paulista.
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Em entrevista ao BNews Cult, o autor confessou ter ficado surpreso com a conquista, especialmente por disputar a categoria com escritores de trajetórias consolidadas. Embora tenha iniciado sua produção literária recentemente, no final de 2024, Abáz já havia recebido reconhecimento pelo mesmo livro, que venceu anteriormente o Prêmio Sesc de Literatura, voltado para autores estreantes.
Então, é bem clichê dizer que não esperava, acho que todo mundo ganha um prêmio e fala isso. Esse livro já nasceu com um outro prêmio, que foi o prêmio SESC, mas era um prêmio voltado para estreantes. Então, apesar de ter começado a escrever há pouco tempo, enfim, ali no final de 2024, mas existia essa orientação do prêmio, esse limite em alguma medida”, contou Abáz.
Sem uma categoria específica para estreantes, o prêmio reúne autores em diferentes momentos da carreira. Além de Evandro Luiz da Conceição, Marcos Vinicius de Paula, entre os finalistas estavam Andréa del Fuego e João Anzanello Carrascoza, escritores que Abáz admira e com quem já teve contato durante oficinas literárias.
Mas o Jabuti, na categoria de conto, ele não tem uma categoria de estreia. Então, tanto concorrem escritores iniciantes, como é o meu caso, quanto escritores já consolidados. E tem dois escritores que já têm uma trajetória grande, que estavam ali na final. São escritores que eu admiro muito, que eu já fui aluno deles em oficina, que é Andréa del Fuego e João Anzanello Carrascoza. Então, por esse motivo, já era uma honra pra mim estar ali com o meu nome do lado deles”, afirmou o escritor.
O escritor também descreveu a emoção de receber o reconhecimento nacional e destacou que ainda está assimilando a dimensão da conquista: “Então, eu fiquei chocado e surpreso por ter recebido o prêmio. Mas foi um momento... Tá saindo ainda, né? A fichinha ainda tá caindo. Tá sendo um momento incrível e muito especial”, completou ao BNews Cult.
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Publicado pela Senac Rio, Massaranduba é uma coletânea de contos ambientada no bairro homônimo, localizado na Cidade Baixa, em Salvador. A obra utiliza a oralidade como principal recurso narrativo para construir histórias inspiradas na realidade de uma comunidade periférica, onde situações trágicas dividem espaço com humor e sarcasmo.
O livro transforma o cotidiano do bairro em matéria literária e coloca no centro da narrativa personagens e experiências frequentemente afastados dos espaços de representação da literatura brasileira.
Tradicional bairro popular da Península de Itapagipe, Massaranduba está situado entre localidades como Ribeira, Bonfim, Jardim Cruzeiro, Uruguai e Caminho de Areia. A região tem uma história marcada pela ocupação de áreas de manguezal e pela formação dos antigos Alagados. A partir da década de 1940, o território passou por processos de aterramento, seguidos pela urbanização nas décadas posteriores.
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