Cultura

Flávio ameaça o cinema brasileiro e pode causar “uma catástrofe” ao futuro da indústria, alerta Variety

Divulgação - Sony Pictures / Vittor Sales - Campanha de Flávio Bolsonaro / Divulgação - Victor Juca
Reportagem da Variety destaca os perigos de uma vitória de Flávio Bolsonaro para o cinema brasileiro e seus avanços recentes  |   Bnews - Divulgação Divulgação - Sony Pictures / Vittor Sales - Campanha de Flávio Bolsonaro / Divulgação - Victor Juca
Cauan Borges

por Cauan Borges

borgesjornalismo2023@gmail.com

Publicado em 08/10/2026, às 17h12



A revista norte-americana Variety publicou, nesta quarta-feira (7), uma reportagem em que alerta para os riscos que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais pode representar para o futuro do cinema brasileiro.

Segundo a publicação, a mudança de governo poderia comprometer os avanços recentes do audiovisual nacional, impulsionados por investimentos públicos e pelo reconhecimento internacional de produções brasileiras.

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O texto relaciona o crescimento da indústria cinematográfica durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao aporte de R$1,6 bilhão anunciado para o setor audiovisual em junho de 2024. A reportagem cita filmes como "Ainda Estou Aqui" (2024) e "O Agente Secreto" (2025) como exemplos da projeção internacional alcançada pelo cinema nacional nos últimos anos.

A preocupação da revista está relacionada à possibilidade de Flávio Bolsonaro retomar políticas semelhantes às adotadas durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2022. Naquele período, a reportagem destaca, houve um corte de 43% no orçamento do Fundo Setorial do Audiovisual, vinculado à Agência Nacional do Cinema (Ancine), em 2019.

A publicação também menciona as dificuldades de financiamento enfrentadas pelo setor durante a gestão Bolsonaro e aponta o enfraquecimento do apoio público à produção cinematográfica como um dos fatores que prejudicaram o desenvolvimento da indústria.

Profissionais temem retrocessos no audiovisual

Entre as fontes ouvidas pela Variety está Paula Cosenza, sócia da produtora Trema, fundada em parceria com o diretor Gabriel Mascaro, responsável pelo filme "O Último Azul" (2025). A produtora demonstrou preocupação com os possíveis efeitos de uma mudança política sobre o setor e classificou uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro como uma ameaça à continuidade dos avanços recentes.

A revista também ouviu o diretor Marcelo Gomes, que alertou para os riscos de uma mudança de governo para a indústria cinematográfica brasileira: "É uma indústria reconhecida internacionalmente e que colheu vários prêmios importantes nos últimos anos. Uma eventual mudança para um governo que não valoriza a cultura pode colocar tudo isso em risco", disse à Variety.

Além disso, Paula classificou uma eventual volta ao poder do grupo político que governou o país entre 2019 e 2022 como "uma catástrofe", e criticou a postura de integrantes da extrema-direita com a cultura brasileira.

O candidato de extrema direita questiona a legitimidade da criação artística, do conhecimento acadêmico, da ciência e do livre exercício da imprensa, tornando-se uma ameaça concreta à democracia", afirmou à revista.

Investimentos do governo Lula entram no debate

Além do anúncio de R$ 1,6 bilhão para o audiovisual, a reportagem destaca mecanismos de incentivo à produção nacional, como incentivos fiscais, subsídios e cotas de tela, que buscam ampliar a presença de filmes brasileiros nos cinemas.

A Variety também relata que, durante o Festival do Rio, a maioria das pessoas presentes ao evento demonstrava apoio a Lula. O posicionamento é apresentado em meio à preocupação de profissionais do setor com a possibilidade de mudanças nas políticas culturais após as eleições.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, segundo os dados mencionados na reportagem. Para a revista, uma eventual vitória do senador poderia colocar em risco a continuidade das políticas de incentivo ao cinema e à produção audiovisual.

A publicação apresenta a reeleição de Lula como o cenário mais favorável à manutenção dos investimentos e à consolidação das conquistas recentes do cinema brasileiro. A avaliação reflete a perspectiva apresentada pela revista e pelos profissionais entrevistados, que temem uma retomada das políticas de financiamento adotadas durante o governo Jair Bolsonaro.

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