Cultura
O saxofonista norte-americano Sonny Rollins, um dos nomes mais influentes da história do jazz, morreu na tarde de segunda-feira (data não especificada), aos 95 anos, em sua casa em Woodstock, no estado de Nova Iorque. A informação foi confirmada pela agente Terri Hinte. Conhecido como o “colosso do saxofone”, Rollins construiu uma carreira marcada por inovação, técnica apurada e constante reinvenção.
Trajetória marcada pela excelência e experimentação
Nascido Theodore Walter Rollins, em 7 de setembro de 1930, no bairro do Harlem, em Nova York, o músico foi um dos últimos representantes vivos da era bebop. Ao longo de mais de seis décadas de atividade, consolidou-se como referência pela capacidade de improvisação e pela busca permanente por novas sonoridades.
Rollins trabalhou ao lado de ícones do jazz como Miles Davis, Dizzy Gillespie, Charlie Parker, John Coltrane, Thelonious Monk e Art Blakey — nomes fundamentais para a consolidação do gênero no século XX.
Discos que moldaram o jazz moderno
Com mais de 60 álbuns lançados como líder, Rollins deixou uma discografia robusta e influente. Entre os trabalhos mais celebrados estão Saxophone Colossus (1957) e The Bridge (1962), além de registros como Way Out West (1957), A Night at the Village Vanguard (1958) e Freedom Suite (1958), todos considerados clássicos.
Em 2017, Saxophone Colossus foi incluído no Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, reconhecimento reservado a obras de relevância histórica e cultural.
Reconhecimento internacional e prêmios
Ao longo da carreira, Rollins recebeu diversas distinções importantes, entre elas a Medalha Nacional das Artes, concedida em 2010 pelo então presidente Barack Obama. Na ocasião, Obama afirmou que o músico o inspirou a assumir riscos e ir além do previsível.
O saxofonista também foi homenageado pelo Kennedy Center em 2011 e conquistou prêmios Grammy, incluindo o de melhor álbum instrumental de jazz, em 2001, por This Is What I Do. Em 2006, venceu na categoria melhor solo instrumental de jazz com “Why Was I Born?”, faixa do álbum Without a Song: The 9/11 Concert.
Saúde fragilizada e despedida dos palcos
Nos últimos anos, Rollins enfrentava problemas respiratórios, incluindo fibrose pulmonar. Ele havia se afastado das turnês desde 2012. Apesar da fragilidade física, manteve até o fim uma visão espiritual sobre a vida e a arte.
Uma declaração feita em 2009 voltou a circular após a confirmação da morte: o músico dizia acreditar que a criatividade transcende a existência física e continua em outra dimensão.
Legado que atravessa gerações
Além do jazz, Rollins dialogou com outros estilos ao longo da carreira, incorporando elementos de funk e R&B em sua sonoridade. Também deixou sua marca no cinema, ao compor a trilha do filme Alfie (1966), estrelado por Michael Caine.
No universo do rock, participou do álbum Tattoo You (1981), dos Rolling Stones, tocando na faixa “Waiting on a Friend”.
Rollins deixa o sobrinho Clifton Anderson e as sobrinhas Vallyn Anderson e Gabrielle DeGroat. Seu legado permanece como um dos pilares da música moderna, influenciando gerações de instrumentistas e mantendo vivo o espírito criativo do jazz.
Classificação Indicativa: Livre
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