Denúncia

"É doloroso sair de casa e não ter o livre-arbítrio", dizem vítimas de racismo em bar na Pituba; assista

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Caso de racismo aconteceu quando elas tentavam entrar no bar Pirambeira na Pituba  |   Bnews - Divulgação Reprodução/ Vídeo
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 21/09/2025, às 17h05 - Atualizado às 17h15



Duas amigas, identificadas como Eisa Maria e Aline, fizeram um forte relato nas redes sociais, de racismo, quando tentavam entrar no bar Pirambeira, localizado na Rua Guillard Muniz, na Pituba, sem sucesso. O caso aconteceu no sábado (20).

Segundo o relato, elas chegaram no início da noite ao local, mas uma funcionária teria alegado que o ambiente estava lotado e, por essa razão, não tinha condições de acomodá-las. Elas ficaram sem entender porque viram pessoas chegando e saindo, ou seja, o que facilitaria que elas acessassem o estabelecimento.

Após muitas conversas com a funcionária elas conseguiram entrar e viram que seria possível ficar em uma mesa sem cadeiras tal qual uma grande quantidade de gente estava fazendo naquele momento, mas o acesso não foi permitido.

Mas, ouviram de uma outra funcionária que elas teriam "sorte de estar naquele ambiente". Depois, ao questionar o motivo de não poder permanecer foram informadas de que precisava da autorização da primeira funcionária que a atendeu na entrada do bar. Diante da negativa e do decurso do tempo elas decidiram ir embora.

Revoltadas, gravaram um vídeo onde disseram que podem frequentar qualquer ambiente e que esse tipo de conduta acontecer em Salvador, local onde a ampla maioria da população é composta por negros, é um absurdo. Elas ainda classificaram o episódio como "doloroso e desrespeitoso".

"É doloroso sair de casa e não ter o livre arbítrio. A gente quer ser respeitada", diz um trecho do vídeo publicado no Instagram de Eisa Maria.Na legenda do vídeo elas acrescentaram que racismo não é mal-entendido, não é opinião. É crime.

Em outro momento, Aline diz que o ambiente estava majoritariamente preenchido com pessoas de pele branca com clientes e os poucos negros que lá estavam eram garçons.

O bar Pirmabeira publicou uma nota no seu perfil oficial do Instagram lamentando o ocorrido e pontuando que tem por premissa receber com respeito e valorização todas as pessoas que frequentam o bar. O comunicado diz ainda que lamenta profundamente o ocorrido e que não compactuam com qualquer forma de preconceito, seja ele racial, religioso, de gênero ou de qualquer outra natureza.  

Confira o comunicado na íntegra:

O Bar Pirambeira tem como principio o respeito e a valorização de todas as pessoas. Recebemos com atenção uma denúncia de possível caso de discriminação ocorrido em nosso espaço. Lamentamos profundamente que uma cliente não tenha se sentido acolhida e respeitada em nossa casa como e costume em nosso estabelecimento.

Reforçamos que não compactuamos, em hipótese alguma, com qualquer forma de preconceito, seja ele racial, religioso, de gênero ou de qualquer outra natureza. Nosso objetivo sempre foi e sempre será acolher todos de forma igualitária e respeitosa. Salientamos que a nossa equipe é constantemente treinada para oferecer o melhor atendimento e serviço a todos sem nenhuma distinção.

Infelizmente por uma questão de limitação do espaço físico nem sempre conseguimos receber a todos que gostariam de nos visitar e sentimos muito quando isso causa transtornos e trabalhamos constantemente para melhorar esse ponto. Entramos em contato com a cliente para ouvi-la e apurarmos o ocorrido.

Além disso, propusemos à mesma a criação de uma campanha voltada para bares e restaurantes, com o intuito de ampliar a conscientização e o combate a atitudes que possam gerar qualquer discriminação. Estamos abertos ao diálogo e sempre comprometidos a transformar essas situações em uma oportunidade de reflexão mútua, para que espaços de convivência como o nosso sejam sempre locais de respeito, diversidade e inclusão.

Assista:

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