Direto de Brasília

Impeachment: Rui contorna insatisfação de bancada e garante 24 votos pró-Dilma

Deputados federais cobravam a participação do governador nas negociações

Publicado em 15/04/2016, às 00h47        Luiz Fernando Lima (twitter @limaluizf)

A bancada de deputados federais da Bahia que apoia a permanência da presidente Dilma Rousseff no cargo se reuniu na casa de Ronaldo Carletto (PP) na noite de quinta-feira (14). 24 dos 39 parlamentares representantes do estado na Câmara firmaram posição contrária a admissibilidade do impedimento de Dilma. Os outros 15 não mudarão de opinião e já declararam voto favorável ao relatório de Jovair Arantes (PTB-GO).

Com uma mesa farta, com direito a carne, peixe, massas e regada a vinho, cerveja e wisk, para amaciar a bancada, como revelou um dos participantes do encontro, o governador Rui Costa não perdeu tempo e anunciou: a partir de segunda-feira (18) minha relação com vocês será diferente. A promessa vem em um momento importante, pois a insatisfação dos deputados federais era conhecida desde o início do mandato o gestor estadual.

Nos critérios de divisão de espaços na estrutura do governo do estado ficou definido que os deputados federais não teriam vez. Eles seriam contemplados pelo governo federal, contudo, diante da crise e da interlocução falha da articulação política da presidente Dilma, os parlamentares ficaram “órfãos”. Ressalta-se que não se trata apenas de cargos, mas de atenção e serviços essenciais para os mandatos também não estavam acontecendo.

Rui fez a mea-culpa e se comprometeu em mudar esta relação. Dará dor de cabeça ao secretário de Relações Institucionais, Josias Gomes, mas nada que seja tão comprometedor que a derrotada da presidente no plenário da Câmara e o afastamento da petista da chefia do Poder Executivo da federação. Por isso, as palavras do governador foram vistas com uma sinalização clara de mudança. A confiança em Rui ainda é grande entre os deputados federais.

Participaram da reunião todos os 24 deputados federais:

Seis do PT: Afonso Florence; Caetano; Jorge Solla; Moema Gramacho; Valmir Assunção e Waldenor Pereira.

Cinco do PSD: Antonio Brito; Fernando Torres; José Nunes; Paulo Magalhães e Sérgio Brito.

Quatro do PP: Cacá Leão; Mário Negromonte Júnior, Roberto Britto e Ronaldo Carletto

Três do PCdoB: Alice Portugal; Daniel Almeida e Davidson Magalhães.

Três do PR: João Carlos Bacelar; José Carlos Araújo e José Rocha

Três outros sendo um de cada partido: Félix Júnior (PDT); Bebeto Falcão (PSB) e João Carlos Bacelar (PTN).

A senadora Lídice da Mata (PSB) também marcou presença e afirmou que não abrirá mão de apoiar Dilma. A presença da socialista foi vista como forma de sustentar a posição de Bebeto que está sendo pressionado pela direção nacional do PSB a votar a favor do impedimento da presidente.

De acordo com deputados presentes no evento, o ministro-chefe de Gabinete da presidente, Jaques Wagner foi fiador das palavras de Rui Costa, mas se destacou pelo papel de motivador da bancada. Na planilha do Planalto, apresentada pelo ex-governador baiano, os votos contrários ou abstenções chegam a 180 podendo alcançar os 208 até domingo, dia da votação.

Na despedida o clima era de otimismo pragmático. A avaliação é que os números de Wagner sofrerão modificações para mais ou para menos a depender dos próximos dois dias. Esta sexta-feira é vista como o dia de o governo conquistar os votos necessários.

Outra avaliação é a que a articulação de Dilma conseguiu na quinta-feira (14) segurar o efeito dominó iniciado na quarta-feira. Para alguns dos deputados baianos a sexta promete ser complicada, pois PSB e PP podem fechar questão impondo sanções aos que se recusarem a seguir a determinação da direção.

Mas, como afirma um interlocutor do governo, cada dia, ou melhor, cada hora com sua agonia. Por enquanto, o clima em Brasília ainda está favorável a admissão do processo, entretanto, não se ganha eleição ou votação de véspera.

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