
O procurador do Ministério Público de Contas, Júlio Marcelo, foi ouvido na condição de informante pelos senadores na tarde desta quinta-feira (25). Após mais de quatro horas de perguntas e respostas, as duas bancadas saem com discurso de vitória. Como tem sido caraterística deste processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) o fato concreto não é inquestionável. Por isso se entende que não há pacificação possível ou negociável. Apesar de já durar quatro horas, o depoimento de Júlio Marcelo parece estar longe de terminar. A expectativa é que apenas mais um seja ouvido hoje.
Após a suspensão dos trabalhos às 18h, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi ao púlpito conversar com a imprensa. Afirmou que o depoimento coloca em cheque os argumentos da defesa da presidente Dilma Rousseff. “Está explicado por a defesa da presidente se opôs tanto ao depoimento do procurador. O depoimento foi devastador. Ele demonstrou de forma absolutamente clara o dolo da presidente em relação a utilização de bancos públicos assumindo despesas que deveriam ser do Tesouro”.
O senador tucano, derrotado nas eleições presidenciais pela presidente Dilma Rousseff em 2014, ressaltou ainda que o procurador conseguiu demonstrar que a presidente petista é o único elo entre as equipes econômicas do primeiro e segundo mandato. “As pedaladas vinham ocorrendo com alertas feitos internamente. Ficou claro que o argumento da defesa de que a presidente não tinha qualquer responsabilidade caiu por terra após estas declarações”.
Aécio encerrou o discurso e foi substituído pelo advogado de defesa da presidente afastada, ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo. O jurista contrapôs a acusação ao afirmar que “há uma orientação clara do procurador Júlio Marcelo de querer condenar a presidente Dilma. Ele serviu como principal elaborador das teses da acusação. O relatório do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) repete literalmente os pensamentos e ideias de Júlio. Esta suspensão prova de que a postura não é adequada a um membro do Ministério Público”.
De acordo com Cardozo, o Tribunal de Contas da União está em posição isolada por ter levado adiante um relatório “viciado”.
“Fica claro que tudo aquilo que ele disse tinha uma parcialidade. Foi feito por uma testemunha suspeita. Ele não tem compromisso de dizer a verdade. Atuou militando. Não atuou com isenção. Este processo é bom porque cada vez mais se joga luz ao que aconteceu”.
O auditor federal Antonio Carlos Costa D’Ávila Carvalho Junior, segunda testemunha de acusação, já se encontra nas dependências do Senado. Ele ficará incomunicável até o início do seu depoimento.