Economia & Mercado

Ação judicial mostra que Banco Master usou clínica médica em nome de laranja para elevar patrimônio

Reprodução / Rovena Rosa / Agência Brasil
De acordo com ação judicial, o Banco Master utilizou uma clínica médica em Minas Gerais em nome de laranja  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Rovena Rosa / Agência Brasil
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 21/11/2025, às 18h17



De acordo com ação judicial que autorizou, na última terça-feira (19), a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master utilizou uma clínica médica em Minas Gerais em nome de laranja para alavancar seu patrimônio de maneira artificial, com o objetivo de mascarar a situação patrimonial do banco. As informações são de reportagem do UOL.

As investigações apontaram que o Master injetou R$ 361 milhões em uma pequena clínica médica em Contagem. Segundo o juiz Ricardo Augusto Leite, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) verificou em junho que a Clínica Mais Médicos S.A, com capital social de apenas R$ 700 mil, emitiu 13 notas comerciais entre 2021 e abril de 2025 que somaram R$ 361 milhões.

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Apesar de ser anormal uma empresa pequena emitir notas de altos valores, o Master comprou através do Jade Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, cujo único cotista é o próprio banco. 

A suspeita da CVM é de que simplesmente o dinheiro não existe. A dona da clínica Valdenice, "atuaria como laranja [pessoa utilizada para ocultar os verdadeiros donos da empresa] no esquema", escreveu o juiz, "para artificialmente inflar o patrimônio do Banco Master".

Havia um vínculo mantido entre a dona da clínica e o Hospital São José, outra empresa no qual há suspeitas. A instituição emitiu R$ 214 milhões em notas comerciais "posteriormente adquiridas pelo Fundo Jade", diz a ação.

Para os investigadores, o foco era "mascarar a real condição econômico-financeira" do banco. A emissão de notas comerciais em valores "significativamente superiores à sua própria receita bruta" é descrita como uma "distorção contábil" que "compromete a adequada precificação dos títulos emitidos, podendoinduzir investidores em erro quanto ao risco efetivo dessas operações", escreve o juiz.

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Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro negou as acusações. A defesa de Daniel Vorcaro negou as acusações. "Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que foi detido na noite de segunda-feira (17) em Guarulhos, constituiu uma equipe de advogados que cuidarão de sua defesa", afirmou em nota. 

"Vorcaro anunciou a venda da instituição e tinha plano de voo a Dubai para se encontrar com os compradores. No mesmo dia, advogados, por ele e pelo Banco Master, colocaram-se, como já haviam feito antes, à disposição para cooperar com as autoridades, prover informações, participar de audiências, inclusive com a presença de Vorcaro, complementou.

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