Economia & Mercado

Argentina autoriza uso de dólares sem declaração de origem para "devolver a liberdade às pessoas"

Valter Campanato / Agência Brasil
Ministro da Economia, Luis Caputo, fala sobre a nova medida que visa devolver a liberdade financeira aos argentinos.  |   Bnews - Divulgação Valter Campanato / Agência Brasil
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 23/05/2025, às 10h50



“Essa mudança de regime visa devolver a liberdade às pessoas e parar de pensar que aqueles que tiveram que se refugiar no mercado informal são criminosos”. Essas foram as palavras do ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, em uma entrevista coletiva, ao anunciar, na quinta-feira (22), um plano para permitir que os cidadãos usem suas economias em dólares sem ter que explicar sua origem.

A medida ocorre em meio à uma desconfiança generalizada de boa parte dos argentinos a respeito dos bancos locais devido a sucessivas crises econômicas. O cenário tem feito com que os habitantes guardem dólares “embaixo do colchão”, em cofres ou em contas no exterior.

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Fontes oficiais estimam que as economias não declaradas somam pelo menos US$200 bilhões. Segundo a autoridade, a elevada carga fiscal e as regulamentações de informação impostas pelo Estado levaram cerca de 50% da economia argentina a operar na informalidade.

As medidas ajudarão a aumentar a formalidade e o crescimento. O objetivo dessas medidas é devolver às pessoas a liberdade de usar as economias que o próprio Estado as obrigou a levar para o setor informal”, afirmou o ministro Caputo.

O governo argentino entende que o país precisa de uma “remonetização” da economia, seja em pesos ou dólares, para sustentar o crescimento. O mercado financeiro argentino recebeu bem a medida anunciada pelo governo. O índice Merval da bolsa de valores de Buenos Aires chegou a subir 1,4%, após abertura em baixa.

De acordo com o Ministério da Economia, a elevada carga fiscal e as regulamentações de informação impostas pelo Estado levaram cerca de 50% da economia argentina a operar na informalidade.

Em meio à decisão do governo argentino, o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse na quinta-feira que quaisquer medidas adotadas pelo país para incentivar o uso de ativos não declarados devem estar em conformidade com os esquemas internacionais de combate à lavagem de dinheiro, conforme incluído em seu atual programa de US$20 bilhões com a Argentina.

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