Economia & Mercado
por Leonardo Oliveira
Publicado em 28/02/2026, às 12h01 - Atualizado às 12h11
O ataque surpresa em conjunto dos Estados Unidos e Israel ao Irã na madrugada deste sábado (28), tende a causar diversos efeitos no mercado global, petróleo e com possíveis consequências para o Brasil. Entenda os possíveis riscos e impactos provenientes dessa ofensiva.
Oferta de petróleo
O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia, ou 3% da produção mundial, o que torna o país o quarto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Apesar das sanções internacionais em vigor, o país tornou-se mais engenhoso em contornar essas restrições, enviando cerca de 90% de suas exportações para a China.
Além disso, o Irã exerce uma grande influência sobre o suprimento energético global por causa de sua localização estratégica, em um dos lados do Estreito de Ormuz, a rota marítima por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto mundial, que vem de fornecedores como Arábia Saudita e Iraque.
Aproximadamente 13 milhões de barris de petróleo bruto por dia transitaram pelo Estreito em 2025, o que representa cerca de 31% do fluxo global de petróleo bruto transportado por via marítima, de acordo com dados da empresa de inteligência de mercado Kpler.
E a relação com o Brasil?
O impacto de uma crise envolvendo o Irã seria sentido em alguns setores da economia brasileira, mas não pela relação comercial direta entre os dois países. O Irã e o Brasil mantêm trocas de produtos agrícolas e fertilizantes, porém o volume é pequeno dentro do comércio exterior brasileiro.
No ano de 2025, essa relação movimentou US$ 3 bilhões, com apenas 0,04% do total comercializado pelo Brasil no ano, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O país importou US$ 84,5 milhões do Irã, principalmente em ureia, pistache e uvas secas, e exportou US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar.
Por isso, especialistas afirmam que os efeitos diretos seriam limitados, no qual os preços poderiam subir, mas não sem motivos para acreditar que faltarão bens importados que o Brasil não consiga substituir.
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A real preocupação mundial está no Estreito de Ormuz. O Irã já ameaçou bloquear completamente a rota, mas até hoje só houve fechamentos parciais, como o de fevereiro, usado para exercícios militares da Guarda Revolucionária.
Um bloqueio total do estreito promoveria a redução do fornecimento de energia para grandes consumidores, como China e Europa, elevando os preços do petróleo e pressionando a economia global. Isso poderia adiar cortes de juros pelo Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), valorizar o dólar e aumentar a inflação no Brasil.
A curto prazo, o efeito recairia sobre preços e juros. A médio prazo, sobre os lucros das petroleiras e a arrecadação federal, já que combustíveis são altamente tributados e têm demanda pouco sensível a aumentos de preço.
No mercado brasileiro, as petroleiras tendem a reagir primeiro. Empresas como Petrobras, PRIO e PetroRecôncavo já viram suas ações subir entre 7% e 12% em fevereiro, impulsionadas pela alta do petróleo, que chegou a US$ 72 o barril, o maior valor em seis meses.
Um relatório recente do JPMorgan indica que o Brasil está relativamente protegido de choques internacionais de energia, por ser exportador líquido e pode enviar energia equivalente a 2,6% do PIB e importar 1,6%. Mesmo assim, o banco alerta que países emergentes, em geral, não estão prontos para uma alta forte e prolongada nos preços, o que pode aumentar a instabilidade financeira global.
Com o novo cenário de instabilidade, analistas apontam que o impacto imediato vai depender da duração e da extensão dos conflitos. Como o Irã responde por menos de 1% das vendas externas brasileiras, o efeito macroeconômico direto seria limitado. Mesmo assim, o peso do país na questão do milho e soja pode manter o tema sob atenção de exportadores e do governo brasileiro.
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