Economia & Mercado

Avó com Alzheimer vira “dona” de empresa bilionária após rombo de R$ 900 milhões de neto

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Investigação aponta exploração por parte do neto, que fugiu para Dubai  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Cibele Gentil

por Cibele Gentil

Publicado em 04/08/2026, às 10h44 - Atualizado às 13h37



O nome de Célia de Fátima Ferreira, de 77 anos, tem aparecido no noticiário desde que seu neto anunciou ter comprado a Naskar Gestão de Ativos Ltda, após o escândalo que revelou um calote de R$ 900 milhões em 3 mil clientes. Célia é avó Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, que é o responsável legal pela idosa, portadora de Alzheimer. Ela figura como a atual administradora da fintech bilionária.

De acordo com investigações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Douglas teria dito, durante uma conversa com uma cliente lesada do Caso Naskar, que transferiu outras 49 empresas para o nome da avó. A idosa, no entanto, não tem condições de responder por si mesma.

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Vida simples e R$ 1 mil por mês

Apesar de ter seu nome ligado a dezenas de empresas com capital milionário, Célia reside em um apartamento de um condomínio de classe média, em Uberlândia, Minas Gerais. O mesmo endereço também era utilizado pelo neto até meados de 2025. Outros endereços onde Célia morou nos últimos também eram localizados em ruas simples da cidade.

O último emprego da idosa foi como recepcionista, para o qual recebia salário de R$ 1.019. Ela chegou a abrir, em 1988, uma empresa de comércio varejista. O negócio funcionava na cidade de Monte Carmelo, a 100 km de distância de Uberlândia, mas foi fechado logo no ano seguinte. O único patrimônio formal registrado no nome de Célia é uma motocicleta Honda CG, fabricada em 1997 e avaliada em R$ 6,2 mil.

Avó como “laranja” do esquema

Após ser apontado como mentor de um esquema, que desviou R$ 60 milhões de uma empresa ligada à família do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, Douglas fugiu para Dubai. Durante o inquérito que apura o ataque cibernético contra a Zema Financeira, a Polícia Civil destacou uma relação de exploração e uso consciente da vulnerabilidade por parte do empresário contra a própria avó.

A polícia concluiu que Célia de Fátima Ferreira foi colocada no esquema para servir como escudo patrimonial. A idosa figurava como titular de contas bancárias e de empresas de fachada, para onde fluíam os recursos desviados da Zema Financeira. A maior parte do dinheiro desviado do Grupo Zema foi parar na conta do Banco Phoenix, que tem Douglas Silva de Oliveira Azara como único sócio.

Durante as apurações, a Polícia Civil constatou que a idosa não tinha qualquer consciência dos crimes praticados ou do volume financeiro movimentado em seu nome. O contraste entre a vida humilde de Célia e as movimentações milionárias seria prova de que Douglas utilizava a procuração da avó para assinar documentos societários em seu nome, abrir contas bancárias de passagem. Com isso, ele buscava criar camadas de blindagem para dificultar a responsabilização criminal e o rastreamento do verdadeiro beneficiário da fortuna desviada.

Envolvimento da família e fuga para Dubai

Segundo apontado pelas investigações, Douglas usou não apenas a avó, mas também a namorada, a advogada Jessika Lorrane Bastos de Castro, de 35 anos, e o cunhado, Maycon Douglas Bastos de Castro. O cunhado e um outro envolvido no esquema, Marllon Henrique Castro Silva, estão presos desde 23 de junho deste ano.

Douglas fugiu para Dubai, nos Emirados Árabes, em 15 de julho deste ano. Duas semanas antes, ele teve prisão preventiva decretada por liderar o esquema. O empresário chegou a dizer nas redes sociais que se tratava de uma viagem de férias e, depois, falou que se tratava de um “business”. A defesa de cada um dos apontados afirmou que eles não tiveram envolvimento no esquema.

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