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Brasileiros recorrem a alternativas para driblar inflação e manter tradição da Páscoa; saiba mais

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Com alta nos preços de frutos do mar e chocolates, consumidores recorrem a outras alternativas para manter tradição  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Fecomércio

Publicado em 16/04/2025, às 06h30   Por Vagner Ferreira e Dandara Amorim



Para muitas casas brasileiras, a Páscoa está associada à fé, encontros de família, comidas típicas e, claro, chocolate. Mas, com a alta nos preços dos itens tradicionais, manter a tradição tem exigido criatividade e, até mesmo, substituições no cardápio.

De acordo com o levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo da Bahia (Fecomércio BA), com base nos dados do Índice de preços ao consumidor (IPCA), os pescados tiveram aumento médio de 4,87% no comparativo com o ano anterior, ficando abaixo da inflação, que está em 5,37%. No entanto, os preços do alho, do azeite e do tomate têm pesado no bolso do brasileiro, com aumento de 41,49%, 14,11% e 10,75%, respectivamente. 

O ovo de galinha que, por muitos anos, serviu como uma outra alternativa, neste ano, também teve um salto no preço, com o índice subindo de 4,23% para 7,82%. A alta da inflação tem deixado muitos consumidores receosos com o impacto no orçamento familiar. 

“Eu estou muito preocupada com o peixe, pois não aceito o preço como está. Eu ganho só um salário mínimo”, disse a auxiliar de serviços gerais, Edileuza dos Santos. “Eu não vou ter condições de comer e é uma coisa que eu gosto”, continuou.

A Fecomércio-BA projeta um aumento de 10% no valor das mercadorias dos supermercados baianos. “O consumidor deve ficar atento e pesquisar preços. Os produtos não perecíveis podem ser comprados com mais antecedência, caso surjam promoções”, comentou o presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes, acerca do período. “Outra dica é não deixar para a véspera, pois pode ocorrer redução da quantidade ofertada e aumento de preços”, continuou.

O cabeleireiro Maikon Luís ressaltou que faz um planejamento para a comemoração. “A única estratégia que tem pra gente vencer o valor é comprar e guardar o peixe por dois meses, assim como o camarão e o quiabo, que também ficam mais caros. O jeito é comprar antecipadamente para, quando chegar a Semana Santa, fazer uma boa ceia com a família, pois, quando chega, o preço aumenta e mesmo que a gente tente pechinchar, muitos não querem abaixar os valores”, contou.

Já a aposentada Gicelia Barbosa disse que, mesmo com a alta, é preciso encontrar uma maneira para não deixar o momento passar em branco. “Tem que dar um jeitinho, não é? Caro ou barato, tem que comprar mesmo, não tem pra onde correr. Se não der para comprar, parcela, dá um jeitinho para comprar”, recomendou.

Confira o vídeo abaixo: 

Chocolate ‘mais amargo’

Para a Fecomércio-BA, o preço dos ovos de chocolate estão mais ‘salgados’ em 2025, com aumento de 14,41% em um ano nos chocolates em barra e no bombom, e de 10,24% dos chocolates e achocolatados em pó. Em 2024, a arroba do cacau aqui na Bahia estava por R$ 460 e, este ano, subiu para R$ 730.

Para driblar a inflação, a técnica de enfermagem, Emanuele Silva, buscou outra alternativa para manter a tradição. “Os ovos de Páscoa têm um valor muito alto, então, no meu caso, achei que seria mais viável fazer o meu próprio ovo de chocolate”, explicou ao BNews.

Ela conta que a ideia surgiu quando a mãe, líder de um grupo de igreja, não queria deixar as crianças sem os ovos. “Como eu já sabia mexer com o chocolate, ela pediu para eu fazer alguns ovos para ela poder presentear aquelas crianças”, contou Emanuele. 

“Em média, a produção com um chocolate bom custa mais ou menos uns R$ 28 a R$ 29, dependendo da marca. É possível encontrar o mesmo ovo por volta de R$ 35, assim, acabo tendo uma economia de R$ 8 ou R$ 9 em cada”, continuou.

O negócio se expandiu e a jovem passou a não apenas fazer os ovos de chocolate para si e para as crianças da igreja, mas também para vender. “Eu gosto muito de trabalhar com doces. Então, encontrei um meio de estar economizando nessa época e também de atender as pessoas que procuram e encomendam para poder estar economizando, fugindo dos mercados, que estão com valores mais altos”, ressaltou.

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