Economia & Mercado
Publicado em 29/01/2025, às 08h50 Maurício Viana
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) demonstrou preocupação ao perceber que, em 2024, as importações superaram as exportações, segundo uma apresentação preliminar sobre as vendas do ano, divulgada em dezembro. Esta é a primeira vez desde 2015 que esse cenário ocorre.
De acordo com o site Quatro Rodas, ao final do ano foram registradas 467 mil unidades de veículos importados, enquanto as exportações somaram 398 mil unidades. O resultado está sendo diretamente associado à chegada das montadoras chinesas BYD e GWM ao Brasil. Em 2024, as importações de veículos vindos da China cresceram 317%, totalizando 175 mil unidades.
As montadoras que possuem fábricas no Brasil demonstraram preocupação com o crescimento das empresas estrangeiras e solicitaram uma investigação para verificar se houve prática de "dumping" — quando produtos são comercializados a preços abaixo do custo de produção para eliminar a concorrência.
As principais investigadas serão a BYD e a GWM, que venderam juntas, em 2024, 76.800 veículos, além de 29.200 carros eletrificados, representando 60% de todos os veículos elétricos importados no Brasil.
O pedido de investigação foi encaminhado pela Anfavea ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), que representa 25 montadoras do setor automotivo.
Posicionamento das empresas
A Anfavea, por meio de seu presidente, Márcio de Lima Leite, enviou um posicionamento oficial:
"Há estudos de mercado em andamento. A Anfavea defende a livre concorrência e a prevenção de práticas que prejudiquem o mercado automotivo brasileiro, zelando pelos clientes, empregados, concessionários, fabricantes e a indústria de autopeças."
A GWM, por sua vez, declarou estar tranquila quanto à investigação e garantiu que segue as regras internacionais e a legislação brasileira para o comércio exterior:
"Além disso, a empresa está aumentando o ritmo de contratações no Brasil, visando o início da produção dos seus primeiros carros eletrificados na fábrica de Iracemápolis, no interior de São Paulo, prevista para o primeiro semestre deste ano."
A BYD negou as acusações e reforçou seu compromisso com a ética e a transparência nas práticas comerciais:
"Nosso foco está em oferecer produtos de qualidade e sustentáveis, alinhados às normas de mercado e legislações vigentes. Estamos construindo, em Camaçari (BA), o maior complexo industrial da companhia fora da China. A BYD é agora uma empresa brasileira, voltada para trazer inovação e produtos de alta qualidade aos consumidores."
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