Economia & Mercado
por Vagner Ferreira
Publicado em 20/02/2026, às 09h00
Um rombo bilionário entrou no radar das autoridades financeiras, envolvendo um balanço controverso do banco Master. Direitos creditórios ligados a usinas falidas totalizaram R$ 8,7 bilhões, valor que, de acordo com informações do portal TabUol, estaria muito acima do valor real de negociação desses papéis, chamando a atenção do Banco Central meses antes da decretação da liquidação da instituição, em novembro de 2025.
Os ativos envolvem créditos relacionados a 19 usinas instaladas na Paraíba, no Rio de Janeiro, em Alagoas e em Pernambuco. Parte desses processos judiciais teria retornado ao início, o que compromete a possibilidade do recebimento. Mas, muitos desses direitos foram revendidos no mercado secundário como os chamados ‘títulos podres’, ou seja, papéis com liquidação incerta e alto risco embutido.
As aquisições teriam sido feitas com intermediação de fundos sob suspeita de irregularidades, com gestores apontados como ligados a Daniel Vorcaro, além de conexões com a Sefer Investimentos e a Reag.
A defesa do banqueiro disse que "os ativos do banco estavam regularmente registrados nas demonstrações financeiras da instituição, elaboradas de acordo com critérios contábeis e metodologias técnicas usuais, além de submetidas à supervisão regulatória e a diversas auditorias independentes", segundo a reportagem.
Os direitos creditórios foram adquiridos diretamente das usinas e, posteriormente, repassados a fundos administrados pela Sefer Investimentos e pela Reag – ambas alvo de operação da Polícia Federal. Vorcaro tentou negociar os ativos com outras instituições financeiras, entre elas o BTG Pactual. No entanto, não houve avanço.
A compra dos direitos permitia ao Banco Master ampliar a emissão de CDBs, usando os ativos como lastro para captar mais recursos. As operações também indicam ganhos de fundos ligados a pessoas próximas de Daniel Vorcaro. O Luna FIDC, que, segundo investigações, tem cotista ligado a Nelson Tanure, intermediou a venda de R$ 1,7 bilhão em direitos da Usina Santa Teresa.
A Entre Investimentos, corretora de Antônio Carlos Freixo Júnior, vendeu R$ 240 milhões em créditos de usinas ao fundo Dublin, administrado pela Sefer Investimentos. A gestora pertence a Benjamim Botelho, apontado como parceiro de negócios de Daniel Vorcaro desde a época em que ele assumiu o antigo Banco Máxima, rebatizado de Banco Master.
O fundo Dublin registrou resgates de R$ 1,5 bilhão entre 2022 e 2023. Em nota, a defesa de Vorcaro negou irregularidades na contabilização e afirmou que não há decisão técnica ou judicial que aponte fraude.
Relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal aponta suspeita de que Daniel Vorcaro tentou influenciar o voto do ministro Dias Toffoli em ação sobre usinas. Mensagens indicam que ele tratou do tema com Fábio Faria antes de julgamento de recurso bilionário. O resultado poderia favorecer o mercado de créditos e ajudar o Banco Master em meio à crise.
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