Economia & Mercado
A CazéTV, canal esportivo criado pela LiveMode em parceria com Casimiro Miguel, enfrenta um desafio que vai além das recentes discussões envolvendo apostas: o próprio crescimento do negócio pode ameaçar o modelo que impulsionou sua expansão. A análise é de Guilherme Ravache, consultor especializado em projetos de jornalismo digital e cobertura do mercado de mídia no Brasil e no exterior.
Segundo Ravache, a CazéTV conquistou espaço ao adquirir direitos de transmissão esportiva por valores muito inferiores aos pagos pela televisão tradicional. Enquanto a Globo investe cerca de US$ 90 milhões por ano em determinados direitos, a CazéTV desembolsava aproximadamente US$ 3 milhões.
O cenário, porém, segundo o especialista, pode mudar conforme a plataforma aumenta sua relevância no mercado.
Crescimento pode encarecer direitos esportivos
Na avaliação do consultor, o problema está justamente no avanço da marca. Ao defender que disputa audiência e relevância em igualdade com a televisão, a CazéTV também fortalece o argumento de que deveria pagar valores semelhantes nas próximas negociações de direitos.
“O sucesso da CazéTV pode ser justamente o que vai quebrá-la”, escreveu Ravache em uma análise publicada nas redes sociais.
Segundo ele, a LiveMode construiu o negócio sem controlar dois ativos considerados fundamentais: os direitos de transmissão e a plataforma utilizada para exibir o conteúdo, o YouTube.
Guilherme Ravache avaliou que a CazéTV construiu seu sucesso sem ser proprietária de dois ativos considerados fundamentais para o negócio: os direitos de transmissão esportiva e a plataforma onde exibe seus conteúdos, o YouTube.
Para Ravache, enquanto esse modelo funcionou, a estratégia parecia vantajosa. Mas o crescimento altera essa dinâmica: “Se compete como TV, tende a pagar como TV. Assim, a vantagem desaparece”, afirma.
Audiência alta não significa mesma receita
O consultor também destacou que o alcance da CazéTV não necessariamente representa o mesmo retorno financeiro da televisão aberta em grandes eventos esportivos.
“Mesmo com audiência alta, o YouTube ainda vale menos para anunciantes do que a TV em grandes eventos. Audiência não é receita”, diz.
A CazéTV acumula 37,5 milhões de inscritos no YouTube e reúne milhares de vídeos publicados na plataforma.
Dependência do YouTube e de Casimiro
Outro ponto levantado por Ravache envolve a relação entre a marca, o criador de conteúdo Casimiro Miguel e o YouTube. Para ele, a comunidade construída ao redor da CazéTV pode ter uma dependência de elementos que não estão totalmente sob controle da empresa.
“E tem outro risco, a comunidade pertence à CazéTV ou ao Casimiro? Ou ao YouTube? Se qualquer um sair da equação, o negócio muda”, questiona.
Barreiras de entrada fora do controle da CazéTV
Na análise, Ravache afirma que o crescimento da plataforma aumenta sua atratividade para o mercado, mas também amplia riscos.
“Quanto mais a CazéTV cresce, mais aumenta a atratividade de seus negócios. Ou seja, maiores chances de aliados virarem concorrentes e de que aqueles que vendem os direitos esportivos tente cobrar mais.”
Para o consultor, o principal desafio da CazéTV está no fato de que as principais barreiras do negócio, como os direitos de transmissão e a plataforma de distribuição, não estão sob controle da empresa.
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